Arquivo de Fevereiro, 2012

CCB convida agentes culturais a apresentarem propostas de programação

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«Numa iniciativa inédita, o CCB convida todos os criadores portugueses, assim como produtores, operadores e agentes culturais, independentemente das suas áreas, a apresentarem propostas de projectos que se possam adequar à programação da instituição. Pela primeira vez, o CCB incita os artistas a procurarem a instituição, contrariando assim a lógica da construção da programação daquele espaço. Isto já acontecia antes com o projecto BoxNova, que se dirige a todos os coreógrafos que desejem apresentar as suas criações, e com o Belém Urbana, no âmbito do festival CCB Fora de Si.
“Aquilo que procuramos com esta iniciativa é fazer uma espécie de levantamento daquilo que existe a nível cultural”, disse ao PÚBLICO Vasco Graça Moura, explicando que a instituição “não se compromete a aceitar as propostas”, garantindo, no entanto que todas serão analisadas.
No anúncio divulgado esta sexta-feira, a FCCB escreve que este convite vai de encontro ao que está estipulado nos estatutos da instituição, que estabelecem que o CCB deve promover a cultura, em especial a portuguesa, através da “promoção de uma oferta cultural diversificada, permanente, actualizada e de alta qualidade”.
Neste sentido, o presidente da instituição ressalta que alta qualidade dos projectos é essencial. “Não vamos macaquear o CBB”, afirma Graça Moura, para quem a instituição tem uma função característica e um traço de identidade que não pode nem vai perder.
No anúncio, a instituição explica ainda que a análise dos projectos “não poderá deixar de ter em conta as dificuldades que o nosso país atravessa actualmente, devendo portanto conduzir a opções programáticas realistas e viáveis”. Vasco Graça Moura explica: “Estamos numa altura de crise, e por isso esta é uma procura de soluções que mantenham o alto nível de qualidade, sem muitos recursos financeiros”. Embora garante que existirão alguns meios financeiros para esta iniciativa.» in Público 27.02.2012

estrutura curricular | 2º ciclo PGCultural

1º Ano / 1º trimestre

Unidades curriculares Área científica Tipo Tempo de trabalho (horas) Créditos
Total Contacto
Atelier   de Economia e Políticas Culturais

TAC

Trimestral

75

T-12

3

Direito para   as Organizações Culturais

TAC

Trimestral

95

T-15

4

Gestão Estratégica   e Mercados

GA

Trimestral

80

TP-15

3

Práticas da   Arte Contemporânea

TAC

Trimestral

75

T-12

3

1º Ano /2º trimestre

Unidades curriculares Área científica Tipo Tempo de trabalho (horas) Créditos
Total Contacto
Marketing,   Comunicação e Media

GA

Trimestral

100

TP-18

4

Fotografia,   Cinema e Processos Digitais

TAC

Trimestral

75

T-12

3

Gestão de Recursos Humanos

GA

Trimestral

80

TP-15

3

Tendências   Contemporâneas das Artes Performativas

TAC

Trimestral

75

T-12

3

1º Ano / 3º trimestre

Unidades   curriculares Área   científica Tipo Tempo   de trabalho (horas) Créditos
Total Contacto
Cultura Visual

TAC

Trimestral

75

T-12

3

Públicos da Cultura

TAC

Trimestral

80

TP-15

3

Programação Cultural

TAC

Trimestral

100

TP-18

4

Aplicações   Informáticas para a Gestão Cultural

GA

Trimestral

114

TP-24

5

1º Ano / 4º trimestre 

Unidades curriculares Área científica Tipo Tempo de trabalho(horas) Créditos
Total Contacto
Cultura e   Responsabilidade Social

TAC

Trimestral

80

TP-15

3

Produção   Cultural e Equipamentos

TAC

Trimestral

100

TP-18

4

Gestão   Orçamental e Financeira

GA

Trimestral

100

TP-18

4

 

 

 

 


 

1º Ano / 1º e 2º semestre

Unidades curriculares Área científica Tipo Tempo de trabalho (horas) Créditos
Total Contacto
Atelier de Projecto 

TAC

Anual

196

PL-42

8

2º Ano / 1º semestre 

Unidades curriculares Área científica Tipo Tempo de trabalho (horas) Créditos
Total Contacto
Seminário   de Investigação em Programação e Gestão Cultural

TAC

Semestral

750

S-60

30

 

 

2º Ano /2º semestre

Unidades   curriculares Área   científica Tipo Tempo   de trabalho (horas) Créditos
Total Contacto
Redacção de Dissertação

GA

Semestral

750

OT-60

30

Entrevista com Toni Puig (Gestor Cultural – Barcelona)

[Entrevista gravada no gabinete de Toni Puig, na Generalitat da Catalunya – Departamento de Educação, Cultura e Bem-Estar – em Barcelona, no dia 24 de Fevereiro de 2009.]

Por Rui Matoso

Em Maio de 2009 organizei para a Academia de Produtores Culturais dois seminários de gestão cultural com o Prof.  Toni Puig, foi nesse contexto que realizei esta entrevista.

Toni Puig é considerado o “guru das cidades”, especialista catalão em gestão cultural, e criador da marca “Barcelona”, cidade onde há mais de trinta anos vive e trabalha no conceito “marca cidade”, uma ideia força em torno do modo de criar e recriar cidades com uma cidadania cúmplice. Actualmente coordena o departamento de Educação, Cultura e Bem-estar social na Generalitat da Catalunha.

http://www.tonipuig.com/

É professor de Marketing na famosa Esade Business School de Barcelona, onde também dirigiu o curso de Gestão Cultural e Comunicação para Organizações Públicas, e lecciona Gestão Cultural na Universidade Autónoma de Barcelona, e em outras universidades espanholas e argentinas. A sua formação académica, heterodoxa e multidisciplinar, integra uma licenciatura em teologia hebraica, estudos de arte e filosofia, especializações em animação sociocultural e comunicação e gestão pública de cidades. É conferencista (ou anti-conferencista, como gosta de afirmar) de renome mundial em assuntos que vão desde o marketing urbano à comunicação de serviços públicos. Foi um dos organizadores do Fórum Mundial de Cultura, decorrido em Barcelona, em 2004. Foi, com José Ribas, fundador da mítica e irreverente revista Ajo Blanco, em 1973.

É autor dos seguintes livros:

  • Animación sociocultural, Cultura y Território, Madrid, Editorial Popular, 1990
  • La Ciudad de las Asociaciones, Madrid, Editorial Popular, 1994
  • Se acabó la diversión, ideas y gestión para la cultura que crea ciudadania, Barcelona, Editorial Paidós, 2004
  • La Comunicación Municipal Complice con los Ciudadanos, Barcelona, Editorial Paidós, 2004
  • Marketing de servicios para administraciones públicas con los ciudadanos, Andaluzia, Dirección General de la Administración Local, 2004
  • Vamos gerir a cultura da cidade com os cidadãos, in Jaume Trilla (Coord.), Animação Sociocultural, Instituto Piaget, 2004
  • Marca Ciudad, Buenos Aires, Paidós, 2008

No seu livro “Se acabó lá diversión” 1 afirma que «as cidades e um mundo melhor construiremos nós mesmos, os cidadãos: acabou-se a submissão». Que quer isto dizer mais precisamente ?

Toni Puig: A cultura está sempre nos extremos, a cultura nunca pode aceitar o status quo em que vivemos, porque a cultura empurra-nos a ir um pouco mais além. Isto acontece desde o nascimento da cultura, quando se começaram a criar os valores humanos universais, tais como o «não matarás» ou «não faças aos outros o que não queres que te façam a ti», que possibilitam a nossa convivência como cidadãos. A partir desse momento, é nossa obrigação exigir uma convivência mais avançada. Como por exemplo, os anos 60 nos Estados Unidos, o caso da emancipação dos negros com Luther King e as lutas pelo respeito e pela igualdade, que durou até aos nossos dias, e em que pela primeira vez é eleito um presidente negro nesse país. Toda esta transformação tem uma profunda base cultural.

Outro tema é o das mulheres e das questões de género, ou da ecologia. A cultura é o motor que nos leva a avançar mais humanamente. Por isso a cultura é insubmissa, quando perguntamos: que podemos fazer para vivermos melhor ?

Mas existe sempre o confronto com novas formas políticas de controle e governamentabilidade ?

Toni Puig: A política tem sempre uma parte de controle, porque nas nossas sociedades é necessário a existência de leis. Contudo, a cultura diz respeito à criatividade. Cultura é também consenso, mas insistir no consenso a mim parece-me um pouco absurdo… já temos consenso que baste. Sobretudo nas cidades o que é importante é avançar em direitos humanos de última geração, em políticas democráticas que permitam mais participação dos cidadãos. Este espaço público será obviamente distinto e mais complexo do da antiga Grécia que inventou a democracia, no qual nem as mulheres nem os escravos participavam.

Será necessário ou possível um reforço do pensamento crítico, num momento que se vive uma crise global, financeira, ecológica e social ?

Toni Puig: Nestes tempos de crise a cultura tem como papel fundamental a interrogação sobre que novos modelos de vida necessitamos. Esta questão é muito importante. Nãos esqueçamos que a cultura surge antes da política. Porque a cultura é sobre «como queremos viver ?», «que cidades queremos ?», «como devemos comportar-nos?», «que valores vamos defender?»…e isto não é uma decisão dos políticos, é uma tarefa de um conjunto plural de vozes que habita hoje as nossas cidades. Depois de respondidas estas questões, os políticos devem então fornecer propostas ao nível da gestão, do «como vamos fazer?» e do «como vamos desenvolver?».

É nesse momento que surgem as Políticas Culturais?

Toni Puig: Não gosto muito do tema «políticas culturais», porque me parece que, nessa perspectiva, as culturas se submetem às políticas. Normalmente aparece sempre um consultor cultural que diz ao político o que deve ser a cultura…e isso é um horror.

Penso que existe um problema chave na cultura, que é o de se ter confundido cultura com Belas Artes.

Mas são necessários serviços públicos de cultura, ou não ?

Toni Puig: Eu creio que em primeiro lugar a cultura é criatividade e mobilização. E aqui estamos mal, adormecemos. Primeiro é preciso pensar e saber o que queremos enquanto cidadãos, só depois entram as políticas e as instituições. Afinal, que mundo queremos depois desta catástrofe financeira? A questão é: para que é que precisamos de espaços, de equipamentos, de organizações, se não for para pensar e trabalhar colectivamente? A minha maior crítica às políticas culturais é que promoveram a construção e a gestão de espaços e projectos antes de pensar claramente acerca da sua necessidade e objectivos. Falo mais detalhadamente sobre isso no meu livro «Se acabó la diversión», sobre a transformação do pensamento e da cultura em espectáculo…e de onde vem isto? Vem desde a segunda guerra mundial, vem dos americanos, da CIA. Existe um bom livro2 sobre este assunto, que conta como depois da segunda guerra mundial e durante a guerra fria a CIA montou uma estratégia cuja finalidade foi desviar os intelectuais e os artistas dos regimes comunistas, fazendo-os aproximar dos ideais supostamente democráticos e liberais americanos, ao mesmo tempo que inicia uma exportação massiva da arte abstracta americana. A partir desse momento, os europeus deixaram-se seduzir pelo grande modelo oficial americano, que basicamente dita que pensemos pouco e consumamos muito espectáculo, um modelo que aproxima a cultura da economia. E daí nascem as indústrias culturais.

Por exemplo, nós aqui em Espanha temos um ministro da cultura em Madrid, que nos últimos anos tem valorizado os artistas e as indústrias culturais, e isso ele fez muito bem. Mas, este senhor, que para mim é um cretino, propôs que a cultura do país fosse determinada pelo «valor» (económico). Mas a cultura não é esse tipo de valor. Afinal, para que necessitamos de um ministro da cultura que se preocupe em aumentar os rendimentos dos artistas. Este facto merece-me todo o respeito, mas é próprio de um ministro da indústria ou da economia. Um ministro da cultura tem de preocupar-se com a qualidade da convivência e da criatividade no país. E o mesmo se passa ao nível municipal. Quantos vereadores da cultura estão a trabalhar com as associações e com os cidadãos para que as pessoas sejam mais criativas, mais poéticas nas suas vidas, para que sejam mais solidárias, mais comunicativas? Cidadãos mais criativos, não apenas nas artes, mas criativos na vida.

Penso que existe um problema chave na cultura, que é o de se ter confundido cultura com belas artes. A cultura é como queremos viver e como criamos vida, e está ligada à sustentabilidade. O centro da cultura é a ética, a ética pública sobretudo. Quantos municípios, em Portugal ou em Espanha, tem a ética como preocupação fundamental da cultura? Mas isto é também jogar com o fogo, porque os partidos políticos não se podem apropriar da ética.

Resumindo, primeiro é preciso um trabalho e um pensamento colectivo para saber que ética relacional criativa necessitamos potenciar. E só depois desse momento reflexivo devia-mos montar as programações e os projectos.

A «agenda 21 da cultura» não é um primeiro passo para promover essa dimensão ética da cultura nos municípios?

Toni Puig: Eu creio que a «agenda 21 da cultura» é um primeiro passo muito pequeno em relação a este assunto. Todavia coloca ainda muito o assento nos artistas, nas programações de exposições, nos teatros…no «como fazemos as coisas». E é verdade, temos de ser justos, pois no modo «como fazemos as coisas» avançámos muito. Porque temos profissionais, equipamentos, instituições,etc. Mas o «QUÊ» (sublinha,subindo o tom de voz) podemos fazer?

Não precisamos ser “terroristas”, não é necessário que as pessoas quando vêm aos nossos teatros ou exposições saiam todas desmontadas. Apenas pedimos, ou eu peço, que saiam pensando um pouco mais, que a ida a um evento cultural lhes proporcione dois minutos para pensar na vida que querem viver. Isto que parece tão simples, tem sido muito complicado. Há medo, no fundo há medo. Medo de pensar que mundo queremos, que cidade queremos.

Eu não me fio em em nenhum programador cultural ou político que decida as coisas só por ele mesmo. Porque é fundamental trabalhar e criar em equipa, desde a pluralidade.

Através de uma perspectiva mais próxima da animação sociocultural ?

Toni Puig: Eu comecei por trabalhar em Barcelona com os temas da animação sociocultural, que significa trabalhar com as pessoas e implicá-las nos processos. Depois chegou a era da gestão cultural, e acharam que tudo aquilo era muito popular, onde havia muita gente popular e anónima. Isso não lhes interessava, por isso sucumbiram ao glamour da gestão cultural. Criaram equipamentos, e muito bem, mas agora estão aborrecidos, sem dinheiro, sem saber o que fazer, pois já programaram de tudo. A gestão cultural funcionou sempre como distribuição de produtos e um difusor de artistas e de actividades, nunca colocou a tónica no pensamento. São cadeias de distribuição comercial de produtos que provoquem resultados imediatos, económicos ou mediáticos. Por isso, não colocam o assento na melhoria da qualidade de vida dos cidadãos.

Toda a cultura, toda a programação cultural, cujo objectivo não esteja ancorada no contexto concreto das cidades concretas (reais) e na melhoria das condições de vida intelectual dos cidadãos, não é cultura, é espectáculo! Eu sou um grande defensor dos espectáculos, claro! Precisamos de espectáculos de qualidade, no tipo de vida que levamos precisamos de distracções. Mas, de modo lato diria que tudo o que promove o pensamento é cultura, e tudo o que nos distrai é espectáculo, diversão. Precisamos das duas coisas obviamente. Ninguém consegue estar todo o dia a pensar e a trabalhar…ficaria maluco!

Uma coisa é trabalhar vivendo neste mundo, outra, bem diferente, é estar no meu gabinete a distribuir produtos culturais.

E as artes e os artistas….?

Toni Puig: A questão é esquecer definitivamente os artistas -estou farto dos artistas-, para situarmos no centro da cultura a ética e os valores. Os artistas devem situar-se onde devem estar situados, nas equipas que pensam e gerem a cultura – aliás, aí parecem-me fundamentais.

É necessário repensar as interacções entre cultura e sociedade...

Toni Puig: Claro, isso é lógico. Por exemplo a questão da ecologia. Que temos dito nós, as pessoas da cultura, dos graves problemas ecológicos? Praticamente nada…ficámos mudos. Que temos dito nós, as pessoas da cultura, acerca da violência de género? Nada….Que temos dito nós, as pessoas da cultura, da guerra? Do Iraque…nada. Há um episódio que costumo contar: quando estavam dois milhões de pessoas em Barcelona numa manifestação contra a guerra do Iraque, eu estava a dar um curso para directores de museus, e perguntei-lhes: amanhã o que vão fazer? Responderam-me: amanhã continuamos a programação…Não pode ser, disse eu! Se as pessoas se mobilizam contra a guerra do Iraque, os museu deviam dizer algo sobre isso. Ok, não podem montar uma mega exposição, mas têm de ser mais imaginativos. Todos os museus têm uma obra que vai contra a guerra e a violência…aproveitem-na e a partir dela criem uma acção contra a guerra, em rede com os museus de Barcelona.

Uma coisa é trabalhar vivendo neste mundo, outra, bem diferente, é estar no meu gabinete a distribuir produtos culturais. A primeira diz respeito a trabalhar com os cidadãos, a segunda é continuar com o sistema da arte, as politicas culturais, enfim, mais do mesmo, um horror. Depois não se queixem que as pessoas não se interessam pela cultura.

Quer dizer com isso que há um “silêncio dos intelectuais” ?

Toni Puig: Os intelectuais deviam tomar uma pastilha e ter uma morte digna. Porque são uma pandilha de indignos, em 90% dos casos. Durante estes últimos 30 anos de problemas que têm afectado o mundo, estiveram calados como umas putas (expressão vernácula na catalunha). Porque são pagos pelos governos, ou por instituições, às quais interessa o seu silêncio. Desde os anos 70 que foi desaparecendo a classe intelectual, que para o bem ou para o mal, ainda era um dos veículos da cultura europeia. Neste momento existe uma acomodação muito grande, quer face ao mercado, quer face ao Estado.

A pergunta clássica: então o que fazer?… uma nova terceira via ?

Toni Puig:Não, não julgo que se trate de uma nova terceira via. Creio que se as coisas continuarem assim, aparecerá um grupo dissidente revolucionário. Agora estou encantado (desabafa)… Para além disso é preciso saber que estamos diante da terceira guerra mundial, estamos todos fartos… fartos de pobreza…fartos dos problemas ecológicos…fartos da má redistribuição económica…fartos de termos os filhos nas universidades para depois irem para o desemprego… fartos da sociedade do espectáculo… fartos de consumir tanto… fartos de comer todo o tipo de merda… fartos de muita coisa. Temos de mudar o capitalismo, dar-lhe novamente um rosto humano. Temos de deixar de consumir alarvemente.

Como se articulará isto?

Toni Puig:Há dois grandes culpáveis: os intelectuais, que como disse precisam de fazer um suicídio colectivo, e todas as associações civis que se dedicaram a fazer o mesmo que os gestores culturais, a gestionar produtos e serviços…a puta da gestão dos serviços…deu nisto. Montaram serviços de solidariedade, de cultura, de não sei quê, em outsourcing…mas a função das associações civis é mobilizar os cidadãos. Eu também me sinto culpado, claro. Fui um dos responsáveis pela ideia da gestão de serviços pelas associações da Catalunha, e acabei por criar um gigante monstruoso.

Se isto está neste ponto, se a criatividade se encontra ao serviço da competição e do «ser diferente» porque sim, a política cultural dos municípios continua muito mal. Porque em vez de se promover o debate, a construção de consensos a partir da pluralidade, temos que os gestores dos municípios apenas fazem uso dos stocks de produtos que as entidades privadas lhes oferecem, que é o que está no mercado. A partir destas opções, vendidas por catálogo, montam as suas programações que nenhuma relação mantém com as necessidades especificas e concretas de cada cidade e dos desejos mais profundos dos cidadãos. Fica-se então pelo superficial e pelo bonito…que muitas vezes não interesa a ninguém. Isto a mim, pessoalmente, motiva-me pouco.

1Toni Puig, Se acabó la diversión: ideas y gestión para la cultura que crea y sostiene ciudadania, Paidós, Barcelona, 2004

2Toni Puig refere-se ao livro The Cultural Cold War: the Cia and the World of Arts and Letters, de Frances Stonor Saunders (1999).

 

DeVos Institute lança estágios para ‘futuros gestores culturais’

DeVos Institute of Arts Management email banner

O conceituado ‘DeVos Institute para a Gestão das Artes’ anunciou recentemente estágios de gestão cultural no Kennedy Center, em Washington. Os candidatos terão que estar inscritos num curso de 1º ou 2º ciclo. Candidaturas até 15 de Março!

DeVos Institute Internships at the Kennedy Center

Summer 2012 Applications Due March 15!

The DeVos Institute at the Kennedy Center offers competitive Internships for aspiring arts managers to gain critical hands-on                         experience in many areas of performing arts management.

DeVos Institute Interns develop valuable relationships in the industry by training with Kennedy Center Staff and gain a broad understanding of the performing arts industry by participating in seminars and activities, attending Kennedy Center performances and events, and connecting with a vast network of DeVos Institute alumni.

Alumni have gone on to organizations such as The Atlanta Symphony, The National Endowment for the Humanities, The New York Philharmonic, The Orpheus Chamber Orchestra, the offices of Renée Fleming, Carnegie Hall, and The Wolf Trap Foundation for the Performing Arts.

Program Dates: June 4 – August 10, 2012

Application Deadline: March 15, 2012

Summer 2012 Internships are available in the following areas:

  • Advertising      – Graphic Design
  • Dance      Programming
  • Development      – Corporate & Foundation Relations
  • Development      – National Symphony Orchestra & Washington National Opera
  • Development      – Special Programming
  • Development      – Volunteer Management
  • DeVos      Institute of Arts Management
  • Education      – Exploring Ballet with Suzanne Farrell
  • Education      – National Symphony Orchestra Summer Music Institute
  • Education      – Performing Arts for Everyone
  • Education      – Theater for Young Audiences
  • Education      – Washington National Opera Institute
  • Institutional      Affairs
  • Information      Technology – Multimedia
  • Information      Technology – Web Development
  • National      Symphony Orchestra – Operations
  • Press      – Kennedy Center
  • Press      – National Symphony Orchestra & Washington National Opera
  • Washington      National Opera – Artistic Administration

para mais informações sobre os estágios:

http://www.kennedy-center.org/education/artsmanagement/internships/

sobre o DeVos Institute of Arts Management:

http://www.kennedy-center.org/education/artsmanagement/index.cfm

sites de referência

Gestão da Cultura e das Artes assiste a espectáculo de Olga de Soto na Culturgest

“história(s)” de Olga de Soto, na CulturGest

 

Que memórias conservam os espectadores de um espectáculo de dança que decorreu há mais de 60 anos? Será a memória um meio de registo eficaz para contrariar a efemeridade das artes performativas? No âmbito da investigação sobre os «públicos da cultura» que a unidade curricular em ‘Programação Cultural’ está a desenvolver com os alunos de Gestão da Cultura e das Artes, a turma do 3º ano assistiu no início de Novembro ao documentário-performance

“história(s)” de Olga de Soto na Culturgest. Um dos alunos enviou-nos um relato desta experiência…

A “história(s)” de Olga de Soto é uma coreografia curiosa inspirada no bailado “Le Jeunne Homme et la Mort“, de Jean Cocteau, uma obra de referência da história da dança que se estreou em Paris, no “Théâtre des Champs-Elysées”, no já longínquo dia 25 de junho de 1946. A “história(s)” de Olga de Soto é uma coreografia onde os espetadores da sessão inaugural, há mais de 60 anos!…, são os protagonistas. Todos na casa dos oitenta e muitos anos, foram entrevistados e trouxeram depoimentos sobre as suas recordações marcantes sobre o espectáculo.

Este convite a Olga de Soto insere-se num projeto da Culturgest de homenagear todos os anos um artista diferente. “Que proposta estranha! Porquê eu?” Questionou-se a coreógrafa. “Uma homenagem? Como prestar homenagem a este espetáculo que realmente nunca vi?” De Le Jeunne Homme et la Mort“, o que Olga se lembrava, era tão somente algumas imagens vagas de um filme a preto e branco, dos movimentos pungentes de Jean Babilée, “um bailarino extraordinário”, e do seu rosto sombrio, contraído, ferido, “com uma expressão exagerada”. Igualmente tinha a recordação vaga de um homem que se enforca e de uma mulher com uma máscara horrível de morte. “As sacudidelas das pernas, dos pés, dos braços, do corpo suspenso do enforcado”.

Após a coreografia, houve lugar para uma conversa informal com Olga de Soto na Sala 1 da Culturgest. Num surpreendente e fluido português (Olga de Soto é espanhola e reside na Bélgica), a coreógrafa permitiu-nos conhecer melhor os “bastidores” deste espetáculo.

Onde encontrar as pessoas, que não conhecia, que tinham assistido, há 60 anos, à estreia? Grande desafio para Olga de Soto. Tanto maior porque tinha estabelecido a meta de só falar com “espetadores verdadeiros”, pessoas que não fizessem parte do círculo artístico da época, simples anónimos que tivessem assistido à estreia. Quem a poderia ajudar? Jean Cocteau, responsável pelo libreto, morreu em 1963. Georges Wakhevitch morreu em 1984. Boris Kochno, na altura diretor do Ballets des Champs Elysées, morreu em 1990. Rolant Petit, o coreógrafo, e a bailarina Nathalie Philippart mostravam-se impossíveis de encontrar. A única pessoa que conseguiu localizar e falar foi com o bailarino Jean Babilée.

Depois de um anúncio no jornal “Le Figaro” à “procura de espetadores que tenham assistido à estreia de Le Jeune Homme e la Mort, no Théâtre des Champs Elysées, em junho de 1946”, Olga de Soto recebeu alguns contactos, poucos. Todos os que viriam a constituir a sua verdadeira equipa de protagonistas da coreografia. São nove. Nenhum ficou excluído, nenhum outro foi acrescentado à equipa.

Olga de Soto pensava neste púbico da estreia de “Le Jeune Homme e la Mort”, em 1946, nas memórias que ainda poderia ter, no que teria guardado do argumento, dos intérpretes, da coreografia e do cenário. O que poderia restar de tudo isto nas memórias de de cada um? É que na altura eram jovens, alguns mesmo muito jovens. Hoje têm idade muito avançada e ….rugas.

Começaram as entrevistas, filmadas, com a recolha de testemunhos comoventes. Mas “a memória é subjetiva”, diz de Soto; “tem os seus buracos de esquecimento e as suas lombas límpidas, os seus acidentes, as suas hesitações mas também, por vezes, recursos extraordinários escondidos”. “histoire(s)” dá a ouvir vozes e narrativas que o tempo fraturou. Le Jeune Homme et la Mort está neles, acompanhou-os durante boa parte do caminho”, conclui Olga de Soto. E esta recolha permitiu a Olga de Soto uma montagem fílmica, como uma coreografia em que os materiais principais são as palavras, as intenções e as entoações.

Um espetacular jogo de iluminação a incidir nos diversos ecrãs, criteriosamente distribuídos pelo palco, e a música de Johann Sebastian Bach, como na estreia de 1946, emolduraram a “histoire(s) de Olga de Soto”, uma vídeo-coreografia de projeções das recolhas efetuadas, onde a própria coreógrafa é interprete, juntamente com Cyril Accorsi. Este projeto foi estreado em maio de 2004, no Kunstenfestivaldesarts, em Bruxelas. Desde então, tem circulado por toda a Europa com enorme sucesso.

@Hernâni de Lemos Figueiredo (2011)

corpo docente | resumo

O corpo docente do curso é constituído por professores e investigadores do ensino superior, bem como por especialistas convidados com experiência profissional consolidada nos vários domínios específicos do curso.

 

Anabela Afonso | Jurista especializada em propriedade intelectual

Carla M. Cardoso |Coordenadora executiva do Doclisboa

Cláudia Madeira | Investigadora em Programação Cultural

Eunice Gonçalves Duarte | Investigadora na área das Artes Performativas

Giacomo Scalisi | Programador cultural; Criador do projecto “TODOS- Caminhada de Culturas”

Gisela Nascimento | Investigadora em Psicologia Social e das Organizações, Directora da Pós-Graduação em GRH – na perspectiva da Gestão com as Pessoas

Isabel Soares Moura | Economista e coordenadora da Área de Business Intelligence da Direção Internacional de Negócio da CGD

José Soares Neves | Investigador e Vogal Cons. Directivo Observatório das Actividades Culturais.

Luís Cláudio Ribeiro | doutorado em Comunicação e Cultura (FCSH, UNL). Publicou, desde 1983, sete livros de poemas, três romances e alguns estudos sobre arte e cultura contemporâneas, distribuídos por revistas e jornais da especialidade. 

Miguel Honrado | Programador e Presidente do Conselho de Administração da EGEAC

Paulo Viveiros | Investigador em cinema e animação digital

Pedro Cabrita | Consultor financeiro e docente de Contabilidade Geral [ULHT]

Rita Almeida Dias | Partner da Sustentare Lda., empresa de consultoria especializada em gestão sustentável

Rosa Videira | Advogada, Assessora Jurídica

Rui Matoso | Gestor, consultor e programador cultural

Teresa Mendes Flores | Doutorada em Ciências da Comunicação. Especialista nas áreas da Fotografia, Cinema e Cultura Visual

Teresa Oliveira | Doutorada em Economia da Inovação [ISCTE].

Victor Flores | Investigador em Cultura Visual e em Programação Cultural

contactos coordenação gcartes

ramo de especialização em Gestão da Cultura e das Artes_1º ciclo Ciências da Comunicação e da Cultura (CCC)

coordenação: Prof. Doutor Victor Flores

e-mail: victor.flores@sapo.pt

secretariado: Mestre Jorge Bruno Ventura

email: jorge.bruno@ulusofona.pt

tel: 217515500

sítio de CCC:

http://ccc.ulusofona.pt/

endereço postal:

Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias

Escola de Comunicação, Arquitetura, Artes e Tecnologias da Informação [ECATI]

Campo Grande, 376

1749 – 024 Lisboa

conferências 2011_ a comunicação cultural: EGEAC e Maria Matos

conferências 2010_ a programação do Teatro Municipal Maria Matos

corpo docente | gestão da cultura e das artes_1º ciclo CCC

Amândio Coroado

Produtor de Cinema, Professor Universitário e Consultor de Desenvolvimento de Projectos. Membro do EFA – European Film Academy, desde 2000 ; Coordenador Nacional do EAVE – European Audiovisual Entrepeneurs Professional Training in Project Development for Film Television and the New Media with the support of the Media Plus Programme, de 2002 a 2008; European Producer´s on the move – Cannes 2001.Desde 2002, tem desenvolvido um trabalho como  consultor  para diversas empresas de produção nas áreas de Desenvolvimento, Montagem Financeira e Distribuição (AnimatografoII; C.R.I.M.; Corda Seca; Contracosta). Em 2007 foi Consultor do FICA – Fundo de Investimento do Cinema e Audiovisual.

Isabel Soares de Moura

Investigadora nas áreas dos recursos financeiros à exportação e do desempenho de exportação. É doutoranda no Programa Doutoral de Gestão Geral (ISCTE-IUL). Tem apresentado a sua investigação em conferências internacionais. Em paralelo à experiência académica, Isabel é coordenadora da Área de Business Intelligence da Direção Internacional de Negócio da CGD e tem vasta experiência em projetos empresariais internacionais. Detém Mestrado em Ciências de Gestão, com tese em Internacionalização do Setor Bancário Português.

José Bragança de Miranda

Doutor em Ciências da Comunicação Professor Associado Agregado em Ciências da Comunicação, especialidade de Teorias da Cultura (U. Nova); Professor Catedrático (ULHT)

José Miguel Caissotti

Licenciado em Ciências da Comunicação e da Cultura (ULHT) e pós-graduado em Curadoria e Organização de Exposições de Arte Contemporânea (FBAUL).Desde 1990 colabora com autarquias e instituições culturais, nas áreas de concepção e gestão de projectos, particularmente no campo das artes visuais, programação artística de galerias, programas de ateliers e residências internacionais e programas de apoio à criação e produção artística. Escreve regularmente sobre artes e cultura contemporânea em projectos diversos de divulgação e produção artística independente. Entre 2009 e 2010 assumiu a Direcção de Serviços de Apoio às Artes da Direcção-Geral das Artes do Ministério da Cultura.

Luís Cláudio Ribeiro

Luís Cláudio Ribeiro nasceu em 19 de Março de 1961. Estudou Engenharia Florestal, Agronomia e licenciou-se em Filosofia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa. Nesta mesma universidade concluiu o mestrado em Cultura Contemporânea e Novas Tecnologias com a tese «Viena, Jefferson ou a Tarefa da Decifração» e o doutoramento em Comunicação e Cultura a que deu o título «O Mundo é Uma Paisagem Devastada pela Harmonia». Publicou, desde 1983, sete livros de poemas, três romances e alguns estudos sobre arte e cultura contemporâneas, distribuídos por revistas e jornais da especialidade.

Pedro Cabrita

Professor de Contabilidade Geral das Licenciaturas de Gestão e Economia (DE, ULHT) Licenciatura em Organização e Gestão de Empresas

Rui Matoso

Rui Matoso é docente na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (ULHT)- Licenciatura em Ciências da Comunicação e da Cultura/ Gestão da Cultura e das Artes. É formador especializado nas áreas de Patrocínio e Mecenato Cultural. É membro da Academia de Produtores Culturais. É Mestre em Práticas Culturais para Municípios – Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa, tendo anteriormente realizado uma Pós-Graduação em Gestão Cultural na ULHT. Alguns dos seus papers, livros e ensaios podem ser consultados em http://grupolusofona.academia.edu/ruimatoso.

Teresa Mendes Flores

Docente de teorias e metodologias da imagem. Tem desenvolvido pesquisa nas áreas da história e teoria da fotografia, do cinema e da cultura visual. Licenciada em Comunicação Social pela FCSH da Universidade Nova de Lisboa (1992). Mestre em Ciências da Comunicação (1998) com uma tese sobre a experiência cinematográfica, publicada na editora MinervaCoimbra (2007). É doutorada em Ciências da Comunicação (2010) pela mesma Universidade com uma tese sobre os usos cartográficos da fotografia e o imaginário das vistas de cima, fazendo a genealogia dos globos virtuais como o Google Earth. É investigadora no CIMJ (Centro de Investigação em Media e Jornalismo) e no CECL (Centro de Estudos de Comunicação e Linguagem). No CIMJ participa actualmente numa pesquisa sobre a mediatização fotojornalística das deputadas parlamentares portuguesas em três ciclos políticos (PREC, Cavaquismo e Guterrismo). Em Fevereiro de 2012 inicia no CECL um pós-doutoramento que incide sobre as práticas fotográficas das expedições portuguesas a África realizadas pela Sociedade de Geografia de Lisboa desde finais do século XIX

Victor Flores

Victor Flores é doutorado em Ciências da Comunicação, área de Comunicação e Cultura (FCH-UNL, 2009). É Professor Associado na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias onde, desde 1996, lecciona nas áreas da Teoria e Análise de Imagem e da Programação e Gestão Cultural. Nesta instituição é director do 2º Ciclo em Programação e Gestão Cultural e coordenador da especialização em Gestão da Cultura e das Artes do 1º Ciclo em Ciências da Comunicação e da Cultura. É membro investigador do Centro de Estudos de Comunicação e Linguagens (CECL) e do Centro de Investigação em Comunicação, Artes e Novas Tecnologias (CICANT). Em 2007 publicou o seu primeiro livro, intitulado «Minimalismo e Pós-Minimalismo. Forma, Anti-Forma e Corpo na Obra de Robert Morris» na Editora Livros Labcom. Das várias actividades de âmbito académico desenvolvidas nos últimos anos destacam-se a publicação de artigos na área da cultura visual, a organização de conferências, a participação como arguente em júris de mestrado e doutoramento, assim como a preparação de projectos de investigação científica.

 

conferências Programação e Gestão Cultural

Conferências Programação e Gestão Cultural 2012  |  ecati _ ulht

Seminário de Investigação em Programação e Gestão Cultural

 

Conferencista | Jorge Barreto Xavier

11.11.2011 – «Política, Políticas Públicas, Políticas Culturais» (Sala M.0.3)
03.02.2012 – «Políticas culturais em Portugal: enquadramentos, instrumentos, agentes, território e práticas» (Sala M.0.3)
17.02.2012 –  «Políticas culturais em França, na Holanda, no Reino Unido, nos EUA. Construção de uma perspectiva nas políticas culturais.» (Auditório Armando Guebuza)

Com início às 19h. Acesso livre.

Resumo biográfico
Jorge Barreto Xavier nasceu em Goa em 1965. Licenciou-se em Direito pela Universidade de Lisboa, pós-graduou-se em Gestão das Artes pelo INA e fez o diploma de Estudos Avançados em Ciência Política da Universidade Nova de Lisboa. Tem dedicado a sua actividade profissional às relações entre Cultura, Educação e Sociedade Civil. Entre 2008 e 2010 exerceu o cargo de director-geral das artes no Ministério da Cultura. Anteriormente já havia sido Vereador da Câmara Municipal de Oeiras, com os Pelouros da Cultura, Juventude e Defesa do Consumidor (2003/05), tal como também membro do Conselho de Administração do Instituto Português da Juventude (1999/02) e, entre outras funções exercidas, consultor do Ministério da Cultura (2002). Em 1986 fundou o Clube Português de Artes e Ideias que presidiu até 2002. Actualmente, é professor auxiliar convidado do ISCTE e, a par de várias colaborações e projectos, prepara tese de doutoramento em Políticas Públicas.

pontos fortes // parcerias

1. Formação especializada em Programação Cultural e em Gestão Cultural, explorando-se os vários campos disciplinares com que estas duas áreas trabalham mais regularmente.

No caso da Programação Cultural, o enfoque recai nas políticas culturais, nas artes performativas, arte contemporânea, fotografia e no cinema, cultura visual e nos públicos da cultura. No caso da Gestão Cultural ficam abrangidas as seguintes áreas de formação: estratégia, finanças, recursos humanos, produção, marketing e comunicação

2. Desenvolvimento de um projecto cultural: o plano curricular do curso está sequenciado no sentido de propiciar o progressivo desenvolvimento acompanhado de projectos culturais.  Esse acompanhamento ocorre no Atelier de Projecto, a unidade curricular que acompanha a evolução de cada projecto, e na qual estão ancoradas as diferentes unidades curriculares implicadas no projecto.

3. As aulas funcionam em regime pós-laboral e têm lugar às sextas-feiras [19.00-22.00h] e aos sábados

4. Os Protocolos com a EGEAC e com a Experimenta Design consolidam a dimensão prática e profissional desta formação no que repeita à implementação dos projectos e a estágios nas suas estruturas e equipamentos.

A formação em gestão cultural na ECATI é desde 2005 reconhecida como membro efectivo (Full Member) da Rede Europeia de Centros de Formação em Gestão Cultural (ENCATC). Esta Rede está sediada em Bruxelas e é a única que representa a nível europeu os cursos de formação graduada e pós-graduada em gestão cultural. Pela actividade que tem desenvolvido (conferências, workshops e encontros internacionais), pelas informações que divulga acerca das decisões da Comissão Europeia para a área da Cultura, e sobretudo pelo intercâmbio de alunos entre os seus membros, esta ligação é uma forma privilegiada de creditação e de projecção do nosso curso.

www.encatc.org

 

competências e saídas profissionais //

Este curso habilita os seus alunos para os seguintes conhecimentos, capacidades e competências específicas:

1. Capacidade de conceptualização de uma programação cultural, de planificação da sua estrutura de recursos humanos, comunicacional e económico-financeira.

2. Competência de gestão e cálculo de dados e da sua transposição para um mapa de produção;

3. Conhecimento das políticas culturais nacionais e europeias, assim como dos seus planos de financiamento;

4. Capacidade de uma análise crítica de conteúdos culturais diversos e de desenvolvimento de projectos culturais com possibilidades de integração no meio contextual e transaccional da cultura.

5. Capacidade de recolha de dados empíricos e do seu cruzamento com a respectiva produção teórica da actualidade.

saídas profissionais//

Actividade profissional na área cultural em organizações públicas e privadas- mais especificamente nos campos da programação cultural, gestão cultural, produção, ensino, promoção e divulgação de actividades culturais em organizações tais como: fundações, divisões culturais das autarquias, cine-teatros, companhias de dança, orquestras, associações, bibliotecas e arquivos, galerias de arte, monumentos, museus, sítios arqueológicos classificados, parques temáticos culturais, centros de interpretação, etc.

 

apresentação e objectivos //

O 2º ciclo em Programação e Gestão Cultural é promovido pela Escola de Comunicação, Artes e Tecnologias da Informação [ECATI] da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias no sentido de desenvolver a formação e a qualificação do trabalho profissional na cultura. A sua especificidade reside na conciliação das formações em programação cultural e em gestão cultural, apostando-se na rentabilização das sinergias que estas duas áreas partilham no campo da cultura. O curso é constituído por uma parte escolar no 1º ano lectivo (quatro trimestres) e por um período de investigação e dissertação no 2º ano lectivo (dois semestres). Durante o 1ºano lectivo os alunos são orientados para a planificação e construção de um projecto cultural da sua autoria. No 2º ano constitui-se o projecto de dissertação e a sua redacção.

O curso destina-se a titulares do grau de licenciatura e a detentores de um curriculum profissional relevante na área cultural.

objectivos //

Responder a um novo cenário cultural que as últimas duas décadas têm construído:

a) uma gradual consolidação dos Pelouros e das Divisões Culturais das Autarquias e uma crescente criação de equipamentos culturais municipais, tais como os Cine-Teatros, Arquivos, Galerias, Fonotecas, Bedetecas e Auditórios, entre outros, que têm reclamado a necessidade de profissionais qualificados e cientificamente actualizados;

b) um gradual reconhecimento da cultura como um factor de desenvolvimento, o que vem exigindo que se consolidem linhas de investigação científica nas áreas da Programação e Gestão Cultural

a opinião dos alunos do 2º ciclo em PGCultural sobre o curso

Clara Antunes

Como produtora cultural, identifico absolutamente os temas e práticas abordadas neste mestrado na minha profissão. São absolutamente idênticos! A aprendizagem teórica tem resultado muitíssimo útil ao meu desenvolvimento profissional. Para isto muito concorre o fato de a grande maioria dos professores trabalhar na área, sendo que o mestrado não se reveste do usual peso académico mas antes procura, efectivamente, tornar operacionais os conceitos apreendidos.

Margarida Branco

Este mestrado está a ser uma grande mais-valia, pois tenho conseguido obter as respostas que procurava quando decidi inscrever-me, nomeadamente no que diz respeito à forma como se angariam patrocínios e outros apoios e à maneira de funcionar das associações culturais. Também estou muito feliz com as leituras e pesquisas que fui levada a fazer, muito orientadas para outras áreas em que não estava habituada a trabalhar e que me abriram um novo universo.

Ana Rita Matias

O curso tem correspondido às minhas expectativas, havendo momentos em que, inclusive, as ultrapassou. Como venho de uma área muito diferente (Finanças), senti algumas dificuldades em alguns momentos, mas uma enorme satisfação aquando a sua resolução. O acompanhamento por parte dos professores foi uma mais-valia, e a troca de experiências com os alunos muito estimulante. Neste curso consegui perceber que a vida não são só números!

Creative Europe: o próximo futuro dos financiamentos

“Creative Europe” (Europa Criativa) é o novo programa de financiamento apresentado pela União Europeia (UE) e que vê na cultura, neste momento de recessão económica generalizada, um importante motor para o desenvolvimento de cada país. Entre 2014 e 2020, a UE vai disponibilizar 1,8 mil milhões de euros.

Numa altura em que os agentes artísticos têm sofrido duros cortes nos seus orçamentos, cenário que não tem acontecido apenas em Portugal mas um pouco por toda a Europa, a UE deu a conhecer o maior apoio financeiro de sempre para a cultura, que abrangerá todos os países da UE, e todas as áreas culturais. Com este novo programa, serão milhares os profissionais do cinema, da televisão, da música ou do património cultural que beneficiarão deste impulso económico.

Segundo um comunicado da União Europeia, é fulcral que num momento de crise se aposte na cultura, que “desempenha um dos principais papéis na economia da Europa dos 27”. Neste sentido, a UE recorreu a vários estudos que mostram que a cultura é um dos poucos sectores em crescimento e com potencial para gerar emprego e retorno económico. “Os estudos europeus revelam que as indústrias culturais e criativas são responsáveis por cerca de 4,5% do Produto Interno Bruto da UE e 3,8% do emprego”, de acordo com o comunicado, onde é explicado que entre 2000 e 2007 o emprego neste sector registou um crescimento de 3,5% por ano, em comparação com 1% na economia da UE em geral.

“A Europa é de longe o líder mundial na exportação de produtos das indústrias criativas. Para manter esta posição, precisamos de investir na capacidade destes sectores operarem além fronteiras”, continua o comunicado.

[fonte do post: gpeari]

consulte aqui website do creative europe: http://ec.europa.eu/culture/creative-europe/

Creative Europe_ video promocional

estudo sobre impacto da cultura na criatividade (2009)

consultar documento:

study_impact_cult_creativity_06_09

crowdfunding como financiamento alternativo

Image                 in maistrafego.pt:

«O Crowdfunding é uma forma de financiamento colectivo de ideias de negócio, através de uma plataforma online. De forma literal, Crowdfunding significa “financiado pela multidão” e apesar desta modalidade de angariação de fundos colectivos já existir há muito (desde o mecenato, filantropia ou quotas de associados) o fator inovador está na forma como todo o processo se desenrola na Internet. O Crowdfunding assenta na ideia de que pequenos investimentos (mínimo de 1 euro), patrocinados por uma grande comunidade, resultam em grandes projetos. O maior desafio do empreendedor será, portanto, o de mostrar e convencer o maior número de pessoas sobre a validade e as potencialidades da sua ideia de negócio e, assim, conseguir reunir o financiamento que precisa. Os primeiros apoiantes encontram-se, normalmente, nos círculos mais restritos dos familiares, amigos e associados, passando depois para uma comunidade mais genérica que será o próprio mercado – aqui, as redes sociais podem ter um papel chave na divulgação do potencial da ideia de negócio e na conquista de mais investidores. Assim é possível, ao mesmo tempo, procurar financiamento e testar a aceitação da ideia de negócio no mercado. Por outro lado, o Crowdfunding permite envolver toda esta comunidade de patrocinadores em torno da ideia de negócio, o que dá relevância social ao projeto.

O processo de financiamento através do Crowdfunding começa com a apresentação de uma candidatura (pitch) através da plataforma, é estipulado o valor do financiamento necessário à concretização do projeto, um prazo para as doações e, por fim, uma lista das recompensas que vão ser entregues aos investidores. No final do prazo se for atingida a meta de financiamento (e que pode até ser ultrapassada) o promotor recebe esse valor e a plataforma online recebe, normalmente, uma comissão de 5%. A partir desta fase, inicia-se o desenvolvimento do projeto que pode ser acompanhado pelos investidores, mais uma vez através das redes sociais, por exemplo – uma forma de também ser assegurada a transparência do processo. Caso não seja conseguido o valor do financiamento necessário, mas antes apenas 60% do valor estipulado, por exemplo, o projeto não se realiza e os valores são devolvidos aos apoiantes. Portanto, se por um lado os business angels estão especialmente vocacionados para apoiar projetos que requerem uma maior componente de investimento (financeiro, recursos, know how), o Crowdfunding pode ser uma boa opção para as ideias de negócio que requerem uma menor estrutura de investimentos e que, por norma, têm mais dificuldade em conseguir financiamento através de capitais de risco, como os projetos editoriais, artísticos ou associativos, por exemplo.»

[artigo originalmente publicado em maistrafego.pt por Marisa Almeida. Ver artigo completo em: «Crowdfunding – uma nova forma de financiamento para empreendedores»]

actividades anteriores

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Ao longo dos últimos anos a especialização em Gestão da Cultura e das Artes (1º ciclo CCC) e o 2º ciclo em Programação e Gestão Cultural na ECATI-ULHT organizaram conferências que trouxeram à universidade vários profissionais da cultura, das quais destacamos:

Conferências Programação e Gestão Cultural 2011

18 Março Nuno de Faria – Ponto de Contacto Cultural, GPEARI, Ministério da Cultura: Programa Cultura 2007-2013 www.gpeari.pt/pcc

08 Abril Catarina Medina, Directora de Comunicação do Teatro Municipal Maria Matos http://www.teatromariamatos.pt/pt/

Armanda Parreira, Gestora de Projecto – Direcção de Gestão Cultural – EGEAC http://www.egeac.pt 

29 Abril José Luís Ferreira, Director Artístico Teatro Municipal S. Luiz Conferência precedida de visita de estudo. http://www.teatrosaoluiz.pt/

27 Maio José Bastos, Director Artístico Centro Cultural Vila Flor, Guimarães http://www.ccvf.pt/

Conferências 2010

12.03 | Jorge Barreto Xavier – Director Geral das Artes- DGArtes/Ministério da Cultura «As iniciativas e os programas de financiamento da DGArtes» www.dgartes.pt  

23.04 | Mark Deputter – Director Artístico Teatro Municipal Maria Matos «As linhas e as orientações da programação cultural do Teatro Municipal Maria Matos» (antecedido por apresentação das áreas técnicas do teatro) www.teatromariamatos.pt   Local: Teatro Maria Matos

21.05 | Madalena Victorino – Programadora e Coreógrafa «Artes e sociedade, projectos de aproximação»

2009_

21 Maio Ana Coelho- Directora Executiva ARTE EM REDE As parcerias e as economias de escala na cultura dos municípios http://www.artemrede.pt/

28 Maio Rui Horta- Coreógrafo, ESPAÇO DO TEMPO A experimentação nas artes performativas. O Espaço do tempo como centro multidisciplinar de pesquisa e criação http://www.oespacodotempo.pt

04 Junho Fernando Galrito- Director Festival MONSTRA A programação e a gestão de um Festival de Cinema de Animação http://www.monstrafestival.com/

18 Junho Matilde Ferreira de Almeida – SPARK [Formação de Públicos, Fundraising, Design & Comunicação, Management e Agenciamento] Apresentação das áreas de trabalho e projectos da SPARK www.spark.pt

2007_ «Indie Lisboa. A gestão e a programação do Indie»

Rui Pereira (IndieLisboa)

2006_ «Gestão Cultural. Conferências»

Mark Deputter (Festival Alkantara)

Paulo Mendes (Projecto Terminal)

Sérgio Mah (Bienal LisboaPhoto)

Isabel Corte-Real (Bienal LisboaPhoto)

Mário Caeiro (Bienal Luzboa)

José Bragança de Miranda (professor universitário)

2005_ «Visões da Gestão Cultural»

Eduardo Prado Coelho (Prof. Univ. e ensaísta)

Miguel Lobo Antunes (Culturgest)

José Bragança de Miranda (Prof. Univ. e ensaísta)

2004/05_ «Práticas de Gestão Cultural. Estratégias e Programações para a Cultura»

José Soares Neves (Observatório das Actividades Culturais)

Luís Urbano (Festival Internacional de Curtas Metragens de Vila do Conde)

Guta Moura Guedes (Bienal Experimenta Design e administradora do CCB)

Madalena Victorino (Serviço de Pedagogia e Animação do CCB)

Paulo Braga (CML)

Ilídio Nunes (Cleanfeed)

2003_ «Práticas da Programação Cultural. Ciclo de conferências sobre a Programação, as Estratégias de Gestão, as Infra-estruturas e os Equipamentos culturais»

António Câmara Manuel (Festival Temps d’Images)

Miguel Honrado (Teatro Viriato)

2002_ “Collectione. Mais do que Juntar”– Conferência de lançamento do documentário

José Bragança de Miranda (Prof. Univ. e ensaísta)

Miguel Wandschneider (curator)

Rui Pereira Jorge (realizador)

2002_ «Galerias: a gestão do presente e do futuro»

António Bacalhau (Gal. Palmira Suso)

Manuel de Brito (Gal. 111)

Graça Fonseca (organizadora da «Arte Lisboa»)

Nuno Faria (IAC)

Pedro Cera (Gal. Pedro Cera)

2001_ «Mecenato Cultural»

Maria de Lurdes Duarte (MC)

Adelaide Rocha (CCB)

Diniz Guarda (Festival Número)

2000_ «Encontros Univ. Lusófona- Centro de Arte Moderna. Encontros com os serviços do CAM»                            

Jorge Molder

Maria Helena Freitas

Natália Pais

Jorge Resende

1999_  «A Produção Artística e Cultural em Portugal»
Manuel Castro Caldas (Ar.co)

Natxo Checa (Galeria Zé dos Bois)

Sérgio Taborda (escultor)
Documentários

1999_ Coordenação e Produção do documentário em suporte vídeo: «A instalação da exposição de Julião Sarmento no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian», realizado por Teresa Mendes. Este documentário tratou os vários momentos, as várias decisões e as várias personagens que marcaram o processo de instalação da exposição de Julião Sarmento no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian em Fevereiro de 2000. Apresentam-se as diferentes fases necessárias à instalação de uma exposição, assim como todas as preocupações estéticas, logísticas e também relativas à recepção do público.

2000_ Coordenação e Produção do documentário em suporte vídeo  «Collectione. Mais do que juntar», realizado por Rui P. Jorge. Este documentário aborda os processos de decisão implicados na constituição das seguintes colecções: Colecção BerardoColecção Circa’68 – Museu de SerralvesColecção do IAC (Instituto de Arte Contemporânea), Colecção da Fundação EDP, Colecção António Cachola , Colecção do CAPC (Círculo de Arte Plásticas de Coimbra). Através de um conjunto de entrevistas aos seus responsáveis, procurou dar-se resposta ao que motivou tais iniciativas, ao que mais caracterizou asescolhas das obras que compõem as colecções.

Revista

1998/2003_ Concepção e coordenação editorial da revista temática anual Caderno C – “Ciber QqCoisa” (nº1), “O Temporário” (nº2), “Coleccionar” (nº3) , “Galeria” (nº4) e “Financiamentos Culturais” (nº5) revista de investigação da área de especialização em Gestão de Actividades Culturais.

 

competências | saídas profissionais

  • concepção, produção e gestão de projectos culturais nas áreas do Património, das Artes plásticas, das Artes performativas e das Indústrias culturais;
  • programação cultural e direcção artística em Festivais, Bienais, Pelouros Autárquicos, Fundações, Associações e Empresas culturais;
  • elaboração de planos de marketing, estratégias de comunicação e de promoção de eventos, produtos ou serviços culturais;
  • desenvolvimento de planos de Financiamento à cultura (mecenato e patrocínios) a partir de grandes ou médias empresas;
  • exercício de funções de jornalismo e de crítica cultural nos meios de comunicação generalistas e especializados, assim como nos sítios da Internet de organizações culturais

a profissão: FAQ’s

O que é um Gestor Cultural?

É quem gere vários recursos (ver resposta seguinte) de forma a cumprir os objectivos e as estratégias de uma organização cultural nas áreas do património, das actividades artísticas e das indústrias culturais e criativas.

Qual a natureza dos recursos implicados no trabalho de um gestor cultural?

Um gestor cultural gere recursos culturais (projectos e autores a que possa recorrer); materiais (sempre que se impõem decisões logísticas: espaços e equipamentos); humanos (necessidade de gerir pessoas e equipas técnicas); financeiros e comunicacionais.

Quais são as funções de um gestor cultural?

Em regra, estão sintetizados na sigla PEVA: Planificação (P) e Execução (E) de um Plano de Acção Cultural em função de objectivos e estratégias (que podem ter sido por ele definidos) e com base em recursos que ele administra. Verificação (V) do cumprimento dos objectivos e Actuação (A) sobre o planificado e o executado.

Qual a importância e visibilidade desta profissão?

Visto que as actuais linhas orientadoras da política cultural passam pela descentralização e pela aposta nas indústrias criativas, necessidades como a optimização de recursos, desenvolvimento de estratégias de parceria, de cooperação e de economia de escala têm interpelado cada vez mais o trabalho dos gestores culturais. Por outro lado, o crescimento do turismo cultural e a emergência de novos Festivais, Encontros e Bienais têm dinamizado o mercado de trabalho da gestão cultural. A proeminência desta profissão resultou da necessidade de fazer circular produções, de gerir recursos financeiros e formar públicos) e de poder articular as produções de pequenas, médias e grandes organizações culturais. De um modo geral, a necessidade das cidades ganharem visibilidade e se auto-promoverem, designadamente através das suas autarquias, sob a «marca» da cultura, tem feito crescer os investimentos na gestão e na programação cultural.

 

o gestor cultural e o programador cultural são parceiros dos criadores

Os criadores (sejam eles escritores, realizadores, actores, pintores ou designers) precisam de fazer chegar as suas obras ao público nas melhores condições possíveis. Precisam de dinheiro, de uma estrutura organizacional, de recursos técnicos e comunicacionais, além de que precisam que as suas obras sejam conjugadas com discursos ou mesmo com outras obras que  contextualizem o seu trabalho e o valorizem.

O gestor cultural e o programador cultural são mediadores entre os criadores e os públicos, mas também, muitas vezes, entre os criadores e o poder político, o que faz deles figuras decisivas para a dinâmica do campo cultural.

A fruição da cultura (do que é novo e arrojado, mas também do que é clássico e tradicional), tal como o acesso à cultura (ao que é produzido fora ou mesmo dentro do país) muito dependem destes profissionais. A sua especialidade é propiciar encontros, ligações entre as pessoas e as suas várias linguagens.

unidades curriculares – especialização em Gestão da Cultura e das Artes

unidades curriculares por ano lectivo | semestre ects
1º ano 2º semestre
Arte, Cultura e Comunicação 5
2º ano 2º semestre
Artes Contemporâneas 5
3º ano 1º semestre
Programação Cultural 6
Estratégia e Mercados Culturais 6
Gestão Orçamental e Financeira 6
Atelier de Economia e Políticas Culturais 6
Aplicações Informáticas para a Gestão Cultural 6
3º ano 2º semestre
Públicos e Equipamentos Culturais 6
Media e Instituições Culturais 6
Marketing e Comunicação Cultural 6
Intervenção e Animação Cultural 6
Seminário de Projecto em Gestão da Cultura e das Artes 6

contactos coordenação

2º ciclo em Programação e Gestão Cultural (PGC)

coordenação: Prof. Doutor Victor Flores

e-mail: victor.flores@sapo.pt

secretariado: Odete Soares

email: odete.soares@ulusofona.pt

telf. 217515500: ext:2367

gabinete: F.1.4

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link para sítio do 2º ciclo em PGC:

http://www.ulusofona.pt/escolas-e-faculdades/ecati/mestrados/mestrado-em-programacao-e-gestao-cultural-2-ciclo.html

 

apresentação

A especialização em Gestão da Cultura e das Artes (1º ciclo CCC) tem como objectivo formar gestores culturais, programadores e profissionais responsáveis pela comunicação e marketing de projectos ou organizações culturais. A sua estrutura curricular visa uma compreensão clara do funcionamento das organizações culturais, dos processos e dos contextos em que elas se inserem. De um modo geral, todas as suas unidades curriculares estão vocacionadas para a concepção e montagem de projectos culturais, tanto do ponto de vista da selecção dos seus conteúdos, como da sua gestão e produção a partir de uma estrutura orgânica e também financeira. Das políticas e financiamentos culturais, à estratégia e mercados culturais, ou aos equipamentos e à crítica, a especialização em Gestão da Cultura e das Artes tem vindo a desenvolver na ECATI desde 1996 uma formação inovadora que muito tem respondido às actuais necessidades de qualificação dos agentes e profissionais da cultura.

A especialização em Gestão da Cultura e das Artes é membro efectivo da ENCATC (Rede Europeia de Centros de Formação em Gestão Cultural) e tem como parceira a empresa municipal EGEAC (Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural), assim como a Experimenta Design.

Os Protocolos com a EGEAC e com a Experimenta Design consolidam a dimensão prática e profissional desta formação no que repeita à implementação dos projectos e a estágios nas suas estruturas e equipamentos.

A formação em gestão cultural na ECATI é desde 2005 reconhecida como membro efectivo (Full Member) da Rede Europeia de Centros de Formação em Gestão Cultural (ENCATC). Esta Rede está sediada em Bruxelas e é a única que representa a nível europeu os cursos de formação graduada e pós-graduada em gestão cultural. Pela actividade que tem desenvolvido (conferências, workshops e encontros internacionais), pelas informações que divulga acerca das decisões da Comissão Europeia para a área da Cultura, e sobretudo pelo intercâmbio de alunos entre os seus membros, esta ligação é uma forma privilegiada de creditação e de projecção do nosso curso.

www.encatc.org