Arquivo de Fevereiro, 2012

CCB convida agentes culturais a apresentarem propostas de programação

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«Numa iniciativa inédita, o CCB convida todos os criadores portugueses, assim como produtores, operadores e agentes culturais, independentemente das suas áreas, a apresentarem propostas de projectos que se possam adequar à programação da instituição. Pela primeira vez, o CCB incita os artistas a procurarem a instituição, contrariando assim a lógica da construção da programação daquele espaço. Isto já acontecia antes com o projecto BoxNova, que se dirige a todos os coreógrafos que desejem apresentar as suas criações, e com o Belém Urbana, no âmbito do festival CCB Fora de Si.
“Aquilo que procuramos com esta iniciativa é fazer uma espécie de levantamento daquilo que existe a nível cultural”, disse ao PÚBLICO Vasco Graça Moura, explicando que a instituição “não se compromete a aceitar as propostas”, garantindo, no entanto que todas serão analisadas.
No anúncio divulgado esta sexta-feira, a FCCB escreve que este convite vai de encontro ao que está estipulado nos estatutos da instituição, que estabelecem que o CCB deve promover a cultura, em especial a portuguesa, através da “promoção de uma oferta cultural diversificada, permanente, actualizada e de alta qualidade”.
Neste sentido, o presidente da instituição ressalta que alta qualidade dos projectos é essencial. “Não vamos macaquear o CBB”, afirma Graça Moura, para quem a instituição tem uma função característica e um traço de identidade que não pode nem vai perder.
No anúncio, a instituição explica ainda que a análise dos projectos “não poderá deixar de ter em conta as dificuldades que o nosso país atravessa actualmente, devendo portanto conduzir a opções programáticas realistas e viáveis”. Vasco Graça Moura explica: “Estamos numa altura de crise, e por isso esta é uma procura de soluções que mantenham o alto nível de qualidade, sem muitos recursos financeiros”. Embora garante que existirão alguns meios financeiros para esta iniciativa.» in Público 27.02.2012

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estrutura curricular | 2º ciclo PGCultural

1º Ano / 1º trimestre

Unidades curriculares Área científica Tipo Tempo de trabalho (horas) Créditos
Total Contacto
Atelier   de Economia e Políticas Culturais

TAC

Trimestral

75

T-12

3

Direito para   as Organizações Culturais

TAC

Trimestral

95

T-15

4

Gestão Estratégica   e Mercados

GA

Trimestral

80

TP-15

3

Práticas da   Arte Contemporânea

TAC

Trimestral

75

T-12

3

1º Ano /2º trimestre

Unidades curriculares Área científica Tipo Tempo de trabalho (horas) Créditos
Total Contacto
Marketing,   Comunicação e Media

GA

Trimestral

100

TP-18

4

Fotografia,   Cinema e Processos Digitais

TAC

Trimestral

75

T-12

3

Gestão de Recursos Humanos

GA

Trimestral

80

TP-15

3

Tendências   Contemporâneas das Artes Performativas

TAC

Trimestral

75

T-12

3

1º Ano / 3º trimestre

Unidades   curriculares Área   científica Tipo Tempo   de trabalho (horas) Créditos
Total Contacto
Cultura Visual

TAC

Trimestral

75

T-12

3

Públicos da Cultura

TAC

Trimestral

80

TP-15

3

Programação Cultural

TAC

Trimestral

100

TP-18

4

Aplicações   Informáticas para a Gestão Cultural

GA

Trimestral

114

TP-24

5

1º Ano / 4º trimestre 

Unidades curriculares Área científica Tipo Tempo de trabalho(horas) Créditos
Total Contacto
Cultura e   Responsabilidade Social

TAC

Trimestral

80

TP-15

3

Produção   Cultural e Equipamentos

TAC

Trimestral

100

TP-18

4

Gestão   Orçamental e Financeira

GA

Trimestral

100

TP-18

4

 

 

 

 


 

1º Ano / 1º e 2º semestre

Unidades curriculares Área científica Tipo Tempo de trabalho (horas) Créditos
Total Contacto
Atelier de Projecto 

TAC

Anual

196

PL-42

8

2º Ano / 1º semestre 

Unidades curriculares Área científica Tipo Tempo de trabalho (horas) Créditos
Total Contacto
Seminário   de Investigação em Programação e Gestão Cultural

TAC

Semestral

750

S-60

30

 

 

2º Ano /2º semestre

Unidades   curriculares Área   científica Tipo Tempo   de trabalho (horas) Créditos
Total Contacto
Redacção de Dissertação

GA

Semestral

750

OT-60

30

Entrevista com Toni Puig (Gestor Cultural – Barcelona)

[Entrevista gravada no gabinete de Toni Puig, na Generalitat da Catalunya – Departamento de Educação, Cultura e Bem-Estar – em Barcelona, no dia 24 de Fevereiro de 2009.]

Por Rui Matoso

Em Maio de 2009 organizei para a Academia de Produtores Culturais dois seminários de gestão cultural com o Prof.  Toni Puig, foi nesse contexto que realizei esta entrevista.

Toni Puig é considerado o “guru das cidades”, especialista catalão em gestão cultural, e criador da marca “Barcelona”, cidade onde há mais de trinta anos vive e trabalha no conceito “marca cidade”, uma ideia força em torno do modo de criar e recriar cidades com uma cidadania cúmplice. Actualmente coordena o departamento de Educação, Cultura e Bem-estar social na Generalitat da Catalunha.

http://www.tonipuig.com/

É professor de Marketing na famosa Esade Business School de Barcelona, onde também dirigiu o curso de Gestão Cultural e Comunicação para Organizações Públicas, e lecciona Gestão Cultural na Universidade Autónoma de Barcelona, e em outras universidades espanholas e argentinas. A sua formação académica, heterodoxa e multidisciplinar, integra uma licenciatura em teologia hebraica, estudos de arte e filosofia, especializações em animação sociocultural e comunicação e gestão pública de cidades. É conferencista (ou anti-conferencista, como gosta de afirmar) de renome mundial em assuntos que vão desde o marketing urbano à comunicação de serviços públicos. Foi um dos organizadores do Fórum Mundial de Cultura, decorrido em Barcelona, em 2004. Foi, com José Ribas, fundador da mítica e irreverente revista Ajo Blanco, em 1973.

É autor dos seguintes livros:

  • Animación sociocultural, Cultura y Território, Madrid, Editorial Popular, 1990
  • La Ciudad de las Asociaciones, Madrid, Editorial Popular, 1994
  • Se acabó la diversión, ideas y gestión para la cultura que crea ciudadania, Barcelona, Editorial Paidós, 2004
  • La Comunicación Municipal Complice con los Ciudadanos, Barcelona, Editorial Paidós, 2004
  • Marketing de servicios para administraciones públicas con los ciudadanos, Andaluzia, Dirección General de la Administración Local, 2004
  • Vamos gerir a cultura da cidade com os cidadãos, in Jaume Trilla (Coord.), Animação Sociocultural, Instituto Piaget, 2004
  • Marca Ciudad, Buenos Aires, Paidós, 2008

No seu livro “Se acabó lá diversión” 1 afirma que «as cidades e um mundo melhor construiremos nós mesmos, os cidadãos: acabou-se a submissão». Que quer isto dizer mais precisamente ?

Toni Puig: A cultura está sempre nos extremos, a cultura nunca pode aceitar o status quo em que vivemos, porque a cultura empurra-nos a ir um pouco mais além. Isto acontece desde o nascimento da cultura, quando se começaram a criar os valores humanos universais, tais como o «não matarás» ou «não faças aos outros o que não queres que te façam a ti», que possibilitam a nossa convivência como cidadãos. A partir desse momento, é nossa obrigação exigir uma convivência mais avançada. Como por exemplo, os anos 60 nos Estados Unidos, o caso da emancipação dos negros com Luther King e as lutas pelo respeito e pela igualdade, que durou até aos nossos dias, e em que pela primeira vez é eleito um presidente negro nesse país. Toda esta transformação tem uma profunda base cultural.

Outro tema é o das mulheres e das questões de género, ou da ecologia. A cultura é o motor que nos leva a avançar mais humanamente. Por isso a cultura é insubmissa, quando perguntamos: que podemos fazer para vivermos melhor ?

Mas existe sempre o confronto com novas formas políticas de controle e governamentabilidade ?

Toni Puig: A política tem sempre uma parte de controle, porque nas nossas sociedades é necessário a existência de leis. Contudo, a cultura diz respeito à criatividade. Cultura é também consenso, mas insistir no consenso a mim parece-me um pouco absurdo… já temos consenso que baste. Sobretudo nas cidades o que é importante é avançar em direitos humanos de última geração, em políticas democráticas que permitam mais participação dos cidadãos. Este espaço público será obviamente distinto e mais complexo do da antiga Grécia que inventou a democracia, no qual nem as mulheres nem os escravos participavam.

Será necessário ou possível um reforço do pensamento crítico, num momento que se vive uma crise global, financeira, ecológica e social ?

Toni Puig: Nestes tempos de crise a cultura tem como papel fundamental a interrogação sobre que novos modelos de vida necessitamos. Esta questão é muito importante. Nãos esqueçamos que a cultura surge antes da política. Porque a cultura é sobre «como queremos viver ?», «que cidades queremos ?», «como devemos comportar-nos?», «que valores vamos defender?»…e isto não é uma decisão dos políticos, é uma tarefa de um conjunto plural de vozes que habita hoje as nossas cidades. Depois de respondidas estas questões, os políticos devem então fornecer propostas ao nível da gestão, do «como vamos fazer?» e do «como vamos desenvolver?».

É nesse momento que surgem as Políticas Culturais?

Toni Puig: Não gosto muito do tema «políticas culturais», porque me parece que, nessa perspectiva, as culturas se submetem às políticas. Normalmente aparece sempre um consultor cultural que diz ao político o que deve ser a cultura…e isso é um horror.

Penso que existe um problema chave na cultura, que é o de se ter confundido cultura com Belas Artes.

Mas são necessários serviços públicos de cultura, ou não ?

Toni Puig: Eu creio que em primeiro lugar a cultura é criatividade e mobilização. E aqui estamos mal, adormecemos. Primeiro é preciso pensar e saber o que queremos enquanto cidadãos, só depois entram as políticas e as instituições. Afinal, que mundo queremos depois desta catástrofe financeira? A questão é: para que é que precisamos de espaços, de equipamentos, de organizações, se não for para pensar e trabalhar colectivamente? A minha maior crítica às políticas culturais é que promoveram a construção e a gestão de espaços e projectos antes de pensar claramente acerca da sua necessidade e objectivos. Falo mais detalhadamente sobre isso no meu livro «Se acabó la diversión», sobre a transformação do pensamento e da cultura em espectáculo…e de onde vem isto? Vem desde a segunda guerra mundial, vem dos americanos, da CIA. Existe um bom livro2 sobre este assunto, que conta como depois da segunda guerra mundial e durante a guerra fria a CIA montou uma estratégia cuja finalidade foi desviar os intelectuais e os artistas dos regimes comunistas, fazendo-os aproximar dos ideais supostamente democráticos e liberais americanos, ao mesmo tempo que inicia uma exportação massiva da arte abstracta americana. A partir desse momento, os europeus deixaram-se seduzir pelo grande modelo oficial americano, que basicamente dita que pensemos pouco e consumamos muito espectáculo, um modelo que aproxima a cultura da economia. E daí nascem as indústrias culturais.

Por exemplo, nós aqui em Espanha temos um ministro da cultura em Madrid, que nos últimos anos tem valorizado os artistas e as indústrias culturais, e isso ele fez muito bem. Mas, este senhor, que para mim é um cretino, propôs que a cultura do país fosse determinada pelo «valor» (económico). Mas a cultura não é esse tipo de valor. Afinal, para que necessitamos de um ministro da cultura que se preocupe em aumentar os rendimentos dos artistas. Este facto merece-me todo o respeito, mas é próprio de um ministro da indústria ou da economia. Um ministro da cultura tem de preocupar-se com a qualidade da convivência e da criatividade no país. E o mesmo se passa ao nível municipal. Quantos vereadores da cultura estão a trabalhar com as associações e com os cidadãos para que as pessoas sejam mais criativas, mais poéticas nas suas vidas, para que sejam mais solidárias, mais comunicativas? Cidadãos mais criativos, não apenas nas artes, mas criativos na vida.

Penso que existe um problema chave na cultura, que é o de se ter confundido cultura com belas artes. A cultura é como queremos viver e como criamos vida, e está ligada à sustentabilidade. O centro da cultura é a ética, a ética pública sobretudo. Quantos municípios, em Portugal ou em Espanha, tem a ética como preocupação fundamental da cultura? Mas isto é também jogar com o fogo, porque os partidos políticos não se podem apropriar da ética.

Resumindo, primeiro é preciso um trabalho e um pensamento colectivo para saber que ética relacional criativa necessitamos potenciar. E só depois desse momento reflexivo devia-mos montar as programações e os projectos.

A «agenda 21 da cultura» não é um primeiro passo para promover essa dimensão ética da cultura nos municípios?

Toni Puig: Eu creio que a «agenda 21 da cultura» é um primeiro passo muito pequeno em relação a este assunto. Todavia coloca ainda muito o assento nos artistas, nas programações de exposições, nos teatros…no «como fazemos as coisas». E é verdade, temos de ser justos, pois no modo «como fazemos as coisas» avançámos muito. Porque temos profissionais, equipamentos, instituições,etc. Mas o «QUÊ» (sublinha,subindo o tom de voz) podemos fazer?

Não precisamos ser “terroristas”, não é necessário que as pessoas quando vêm aos nossos teatros ou exposições saiam todas desmontadas. Apenas pedimos, ou eu peço, que saiam pensando um pouco mais, que a ida a um evento cultural lhes proporcione dois minutos para pensar na vida que querem viver. Isto que parece tão simples, tem sido muito complicado. Há medo, no fundo há medo. Medo de pensar que mundo queremos, que cidade queremos.

Eu não me fio em em nenhum programador cultural ou político que decida as coisas só por ele mesmo. Porque é fundamental trabalhar e criar em equipa, desde a pluralidade.

Através de uma perspectiva mais próxima da animação sociocultural ?

Toni Puig: Eu comecei por trabalhar em Barcelona com os temas da animação sociocultural, que significa trabalhar com as pessoas e implicá-las nos processos. Depois chegou a era da gestão cultural, e acharam que tudo aquilo era muito popular, onde havia muita gente popular e anónima. Isso não lhes interessava, por isso sucumbiram ao glamour da gestão cultural. Criaram equipamentos, e muito bem, mas agora estão aborrecidos, sem dinheiro, sem saber o que fazer, pois já programaram de tudo. A gestão cultural funcionou sempre como distribuição de produtos e um difusor de artistas e de actividades, nunca colocou a tónica no pensamento. São cadeias de distribuição comercial de produtos que provoquem resultados imediatos, económicos ou mediáticos. Por isso, não colocam o assento na melhoria da qualidade de vida dos cidadãos.

Toda a cultura, toda a programação cultural, cujo objectivo não esteja ancorada no contexto concreto das cidades concretas (reais) e na melhoria das condições de vida intelectual dos cidadãos, não é cultura, é espectáculo! Eu sou um grande defensor dos espectáculos, claro! Precisamos de espectáculos de qualidade, no tipo de vida que levamos precisamos de distracções. Mas, de modo lato diria que tudo o que promove o pensamento é cultura, e tudo o que nos distrai é espectáculo, diversão. Precisamos das duas coisas obviamente. Ninguém consegue estar todo o dia a pensar e a trabalhar…ficaria maluco!

Uma coisa é trabalhar vivendo neste mundo, outra, bem diferente, é estar no meu gabinete a distribuir produtos culturais.

E as artes e os artistas….?

Toni Puig: A questão é esquecer definitivamente os artistas -estou farto dos artistas-, para situarmos no centro da cultura a ética e os valores. Os artistas devem situar-se onde devem estar situados, nas equipas que pensam e gerem a cultura – aliás, aí parecem-me fundamentais.

É necessário repensar as interacções entre cultura e sociedade...

Toni Puig: Claro, isso é lógico. Por exemplo a questão da ecologia. Que temos dito nós, as pessoas da cultura, dos graves problemas ecológicos? Praticamente nada…ficámos mudos. Que temos dito nós, as pessoas da cultura, acerca da violência de género? Nada….Que temos dito nós, as pessoas da cultura, da guerra? Do Iraque…nada. Há um episódio que costumo contar: quando estavam dois milhões de pessoas em Barcelona numa manifestação contra a guerra do Iraque, eu estava a dar um curso para directores de museus, e perguntei-lhes: amanhã o que vão fazer? Responderam-me: amanhã continuamos a programação…Não pode ser, disse eu! Se as pessoas se mobilizam contra a guerra do Iraque, os museu deviam dizer algo sobre isso. Ok, não podem montar uma mega exposição, mas têm de ser mais imaginativos. Todos os museus têm uma obra que vai contra a guerra e a violência…aproveitem-na e a partir dela criem uma acção contra a guerra, em rede com os museus de Barcelona.

Uma coisa é trabalhar vivendo neste mundo, outra, bem diferente, é estar no meu gabinete a distribuir produtos culturais. A primeira diz respeito a trabalhar com os cidadãos, a segunda é continuar com o sistema da arte, as politicas culturais, enfim, mais do mesmo, um horror. Depois não se queixem que as pessoas não se interessam pela cultura.

Quer dizer com isso que há um “silêncio dos intelectuais” ?

Toni Puig: Os intelectuais deviam tomar uma pastilha e ter uma morte digna. Porque são uma pandilha de indignos, em 90% dos casos. Durante estes últimos 30 anos de problemas que têm afectado o mundo, estiveram calados como umas putas (expressão vernácula na catalunha). Porque são pagos pelos governos, ou por instituições, às quais interessa o seu silêncio. Desde os anos 70 que foi desaparecendo a classe intelectual, que para o bem ou para o mal, ainda era um dos veículos da cultura europeia. Neste momento existe uma acomodação muito grande, quer face ao mercado, quer face ao Estado.

A pergunta clássica: então o que fazer?… uma nova terceira via ?

Toni Puig:Não, não julgo que se trate de uma nova terceira via. Creio que se as coisas continuarem assim, aparecerá um grupo dissidente revolucionário. Agora estou encantado (desabafa)… Para além disso é preciso saber que estamos diante da terceira guerra mundial, estamos todos fartos… fartos de pobreza…fartos dos problemas ecológicos…fartos da má redistribuição económica…fartos de termos os filhos nas universidades para depois irem para o desemprego… fartos da sociedade do espectáculo… fartos de consumir tanto… fartos de comer todo o tipo de merda… fartos de muita coisa. Temos de mudar o capitalismo, dar-lhe novamente um rosto humano. Temos de deixar de consumir alarvemente.

Como se articulará isto?

Toni Puig:Há dois grandes culpáveis: os intelectuais, que como disse precisam de fazer um suicídio colectivo, e todas as associações civis que se dedicaram a fazer o mesmo que os gestores culturais, a gestionar produtos e serviços…a puta da gestão dos serviços…deu nisto. Montaram serviços de solidariedade, de cultura, de não sei quê, em outsourcing…mas a função das associações civis é mobilizar os cidadãos. Eu também me sinto culpado, claro. Fui um dos responsáveis pela ideia da gestão de serviços pelas associações da Catalunha, e acabei por criar um gigante monstruoso.

Se isto está neste ponto, se a criatividade se encontra ao serviço da competição e do «ser diferente» porque sim, a política cultural dos municípios continua muito mal. Porque em vez de se promover o debate, a construção de consensos a partir da pluralidade, temos que os gestores dos municípios apenas fazem uso dos stocks de produtos que as entidades privadas lhes oferecem, que é o que está no mercado. A partir destas opções, vendidas por catálogo, montam as suas programações que nenhuma relação mantém com as necessidades especificas e concretas de cada cidade e dos desejos mais profundos dos cidadãos. Fica-se então pelo superficial e pelo bonito…que muitas vezes não interesa a ninguém. Isto a mim, pessoalmente, motiva-me pouco.

1Toni Puig, Se acabó la diversión: ideas y gestión para la cultura que crea y sostiene ciudadania, Paidós, Barcelona, 2004

2Toni Puig refere-se ao livro The Cultural Cold War: the Cia and the World of Arts and Letters, de Frances Stonor Saunders (1999).

 

DeVos Institute lança estágios para ‘futuros gestores culturais’

DeVos Institute of Arts Management email banner

O conceituado ‘DeVos Institute para a Gestão das Artes’ anunciou recentemente estágios de gestão cultural no Kennedy Center, em Washington. Os candidatos terão que estar inscritos num curso de 1º ou 2º ciclo. Candidaturas até 15 de Março!

DeVos Institute Internships at the Kennedy Center

Summer 2012 Applications Due March 15!

The DeVos Institute at the Kennedy Center offers competitive Internships for aspiring arts managers to gain critical hands-on                         experience in many areas of performing arts management.

DeVos Institute Interns develop valuable relationships in the industry by training with Kennedy Center Staff and gain a broad understanding of the performing arts industry by participating in seminars and activities, attending Kennedy Center performances and events, and connecting with a vast network of DeVos Institute alumni.

Alumni have gone on to organizations such as The Atlanta Symphony, The National Endowment for the Humanities, The New York Philharmonic, The Orpheus Chamber Orchestra, the offices of Renée Fleming, Carnegie Hall, and The Wolf Trap Foundation for the Performing Arts.

Program Dates: June 4 – August 10, 2012

Application Deadline: March 15, 2012

Summer 2012 Internships are available in the following areas:

  • Advertising      – Graphic Design
  • Dance      Programming
  • Development      – Corporate & Foundation Relations
  • Development      – National Symphony Orchestra & Washington National Opera
  • Development      – Special Programming
  • Development      – Volunteer Management
  • DeVos      Institute of Arts Management
  • Education      – Exploring Ballet with Suzanne Farrell
  • Education      – National Symphony Orchestra Summer Music Institute
  • Education      – Performing Arts for Everyone
  • Education      – Theater for Young Audiences
  • Education      – Washington National Opera Institute
  • Institutional      Affairs
  • Information      Technology – Multimedia
  • Information      Technology – Web Development
  • National      Symphony Orchestra – Operations
  • Press      – Kennedy Center
  • Press      – National Symphony Orchestra & Washington National Opera
  • Washington      National Opera – Artistic Administration

para mais informações sobre os estágios:

http://www.kennedy-center.org/education/artsmanagement/internships/

sobre o DeVos Institute of Arts Management:

http://www.kennedy-center.org/education/artsmanagement/index.cfm

sites de referência

Gestão da Cultura e das Artes assiste a espectáculo de Olga de Soto na Culturgest

“história(s)” de Olga de Soto, na CulturGest

 

Que memórias conservam os espectadores de um espectáculo de dança que decorreu há mais de 60 anos? Será a memória um meio de registo eficaz para contrariar a efemeridade das artes performativas? No âmbito da investigação sobre os «públicos da cultura» que a unidade curricular em ‘Programação Cultural’ está a desenvolver com os alunos de Gestão da Cultura e das Artes, a turma do 3º ano assistiu no início de Novembro ao documentário-performance

“história(s)” de Olga de Soto na Culturgest. Um dos alunos enviou-nos um relato desta experiência…

A “história(s)” de Olga de Soto é uma coreografia curiosa inspirada no bailado “Le Jeunne Homme et la Mort“, de Jean Cocteau, uma obra de referência da história da dança que se estreou em Paris, no “Théâtre des Champs-Elysées”, no já longínquo dia 25 de junho de 1946. A “história(s)” de Olga de Soto é uma coreografia onde os espetadores da sessão inaugural, há mais de 60 anos!…, são os protagonistas. Todos na casa dos oitenta e muitos anos, foram entrevistados e trouxeram depoimentos sobre as suas recordações marcantes sobre o espectáculo.

Este convite a Olga de Soto insere-se num projeto da Culturgest de homenagear todos os anos um artista diferente. “Que proposta estranha! Porquê eu?” Questionou-se a coreógrafa. “Uma homenagem? Como prestar homenagem a este espetáculo que realmente nunca vi?” De Le Jeunne Homme et la Mort“, o que Olga se lembrava, era tão somente algumas imagens vagas de um filme a preto e branco, dos movimentos pungentes de Jean Babilée, “um bailarino extraordinário”, e do seu rosto sombrio, contraído, ferido, “com uma expressão exagerada”. Igualmente tinha a recordação vaga de um homem que se enforca e de uma mulher com uma máscara horrível de morte. “As sacudidelas das pernas, dos pés, dos braços, do corpo suspenso do enforcado”.

Após a coreografia, houve lugar para uma conversa informal com Olga de Soto na Sala 1 da Culturgest. Num surpreendente e fluido português (Olga de Soto é espanhola e reside na Bélgica), a coreógrafa permitiu-nos conhecer melhor os “bastidores” deste espetáculo.

Onde encontrar as pessoas, que não conhecia, que tinham assistido, há 60 anos, à estreia? Grande desafio para Olga de Soto. Tanto maior porque tinha estabelecido a meta de só falar com “espetadores verdadeiros”, pessoas que não fizessem parte do círculo artístico da época, simples anónimos que tivessem assistido à estreia. Quem a poderia ajudar? Jean Cocteau, responsável pelo libreto, morreu em 1963. Georges Wakhevitch morreu em 1984. Boris Kochno, na altura diretor do Ballets des Champs Elysées, morreu em 1990. Rolant Petit, o coreógrafo, e a bailarina Nathalie Philippart mostravam-se impossíveis de encontrar. A única pessoa que conseguiu localizar e falar foi com o bailarino Jean Babilée.

Depois de um anúncio no jornal “Le Figaro” à “procura de espetadores que tenham assistido à estreia de Le Jeune Homme e la Mort, no Théâtre des Champs Elysées, em junho de 1946”, Olga de Soto recebeu alguns contactos, poucos. Todos os que viriam a constituir a sua verdadeira equipa de protagonistas da coreografia. São nove. Nenhum ficou excluído, nenhum outro foi acrescentado à equipa.

Olga de Soto pensava neste púbico da estreia de “Le Jeune Homme e la Mort”, em 1946, nas memórias que ainda poderia ter, no que teria guardado do argumento, dos intérpretes, da coreografia e do cenário. O que poderia restar de tudo isto nas memórias de de cada um? É que na altura eram jovens, alguns mesmo muito jovens. Hoje têm idade muito avançada e ….rugas.

Começaram as entrevistas, filmadas, com a recolha de testemunhos comoventes. Mas “a memória é subjetiva”, diz de Soto; “tem os seus buracos de esquecimento e as suas lombas límpidas, os seus acidentes, as suas hesitações mas também, por vezes, recursos extraordinários escondidos”. “histoire(s)” dá a ouvir vozes e narrativas que o tempo fraturou. Le Jeune Homme et la Mort está neles, acompanhou-os durante boa parte do caminho”, conclui Olga de Soto. E esta recolha permitiu a Olga de Soto uma montagem fílmica, como uma coreografia em que os materiais principais são as palavras, as intenções e as entoações.

Um espetacular jogo de iluminação a incidir nos diversos ecrãs, criteriosamente distribuídos pelo palco, e a música de Johann Sebastian Bach, como na estreia de 1946, emolduraram a “histoire(s) de Olga de Soto”, uma vídeo-coreografia de projeções das recolhas efetuadas, onde a própria coreógrafa é interprete, juntamente com Cyril Accorsi. Este projeto foi estreado em maio de 2004, no Kunstenfestivaldesarts, em Bruxelas. Desde então, tem circulado por toda a Europa com enorme sucesso.

@Hernâni de Lemos Figueiredo (2011)

corpo docente | resumo

O corpo docente do curso é constituído por professores e investigadores do ensino superior, bem como por especialistas convidados com experiência profissional consolidada nos vários domínios específicos do curso.

 

Anabela Afonso | Jurista especializada em propriedade intelectual

Carla M. Cardoso |Coordenadora executiva do Doclisboa

Cláudia Madeira | Investigadora em Programação Cultural

Eunice Gonçalves Duarte | Investigadora na área das Artes Performativas

Giacomo Scalisi | Programador cultural; Criador do projecto “TODOS- Caminhada de Culturas”

Gisela Nascimento | Investigadora em Psicologia Social e das Organizações, Directora da Pós-Graduação em GRH – na perspectiva da Gestão com as Pessoas

Isabel Soares Moura | Economista e coordenadora da Área de Business Intelligence da Direção Internacional de Negócio da CGD

José Soares Neves | Investigador e Vogal Cons. Directivo Observatório das Actividades Culturais.

Luís Cláudio Ribeiro | doutorado em Comunicação e Cultura (FCSH, UNL). Publicou, desde 1983, sete livros de poemas, três romances e alguns estudos sobre arte e cultura contemporâneas, distribuídos por revistas e jornais da especialidade. 

Miguel Honrado | Programador e Presidente do Conselho de Administração da EGEAC

Paulo Viveiros | Investigador em cinema e animação digital

Pedro Cabrita | Consultor financeiro e docente de Contabilidade Geral [ULHT]

Rita Almeida Dias | Partner da Sustentare Lda., empresa de consultoria especializada em gestão sustentável

Rosa Videira | Advogada, Assessora Jurídica

Rui Matoso | Gestor, consultor e programador cultural

Teresa Mendes Flores | Doutorada em Ciências da Comunicação. Especialista nas áreas da Fotografia, Cinema e Cultura Visual

Teresa Oliveira | Doutorada em Economia da Inovação [ISCTE].

Victor Flores | Investigador em Cultura Visual e em Programação Cultural