Arquivo de Março, 2012

APOIO À INTERNACIONALIZAÇÃO DAS ARTES

 

A Direcção Geral das Artes anunciou aqui  a aprovação da Portaria de Apoio à Internacionalização das Artes, a qual vem regulamentar uma linha de apoios financeiros a projetos artísticos que se desenvolvam no estrangeiro, tendo em conta que, no atual contexto, a existência de dispositivos de internacionalização dirigidos às artes é crucial para o fomento do empreendedorismo e para o alargamento de mercados do setor artístico.

Prevê-se a abertura, por via de concurso público, até três vezes por ano, com as regras de acessibilidade e transparência fundamentais à atribuição de financiamento estatal, a linha de Apoio à Internacionalização das Artes será implementada muito em breve, mediante a publicação do aviso de abertura.

Ainda no que se refere ao apoio à internacionalização das arte, é de salientar que a Fundação Calouste Gulbenkian também concede, entre outros, apoios a projectos de artes visuais (exposições individuais ou colectivas) de artistas portugueses realizadas no estrangeiro.  Neste caso, são valorizados os projectos de exposição com curadoria e/ou com o envolvimento de uma instituição ou estrutura de produção e difusão artísticas internacionais. Para mais informação consultar aqui.

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Todas as estratégias e apoios à internacionalização são muito bem vindas, até porque existe um deficit na balança de transacções internacionais, ou seja a importação é maior do que a exportação de bens artísticos,  importa por isso ter em atenção alguns estudos e informação já realizados nesta área de actuação.

Em 2009 o valor das exportações de bens culturais ultrapassou 62,5 milhões de euros, o que representa um decréscimo, a preços correntes, de 22,5% face ao registado no ano anterior. O valor das importações de bens culturais ultrapassou 225,4 milhões de euros, tendo decrescido 15,7%  face a 2008. Em resultado destes movimentos, verificou-se um saldo negativo de 162,9 milhões de euros. (Fonte: INE, Anuário Cultura 2009)

Segundo o estudo do Observatório das Actividades Culturais – Mobilidade internacional dos artistas e outros profissionais da cultura (Jan. 2010). Estudo disponível em pdf aqui:

  • A Espanha é claramente o principal destino dos espectáculos vendidos para o exterior (38%), perfazendo o conjunto dos países europeus 76% das vendas internacionais
  • Os países lusófonos representam 18% dos espectáculos vendidos para o exterior, o Brasil 15%
  • A língua é um capital pouco explorado: o horizonte europeu é claramente privilegiado face ao espaço da lusofonia
  • O potencial do Brasil enquanto parceiro e enquanto mercado não se traduz num intercâmbio efectivo
  • A música surge claramente como sector mais internacionalizado, em contraste com o teatro.

Pontos Fracos relativamente ao comércio internacional do sector cultural e criativo:

i) Fraco dinamismo das indústrias relacionadas e de suporte ao sector cultural e criativo – aspecto relevante do ponto de vista da sustentabilidade dos empregos e da competitividade nas indústrias criativas

ii) Dificuldade em articular lógicas de produção e de distribuição

iii) Dificuldade de valorização internacional da língua portuguesa – remetendo para a estagnação das exportações das indústrias culturais

iv) Fraca valorização de aspetos relativos à internacionalização e distribuição de agentes públicos e privados.

 

 

uma programação cultural online

Na última década, a crescente utilização das novas tecnologias (designadamente da Internet) pelas instituições culturais permitiu o reconhecimento de novos e potenciais públicos para a cultura. Por tenderem a ter diferentes tipologias e por demonstrarem predisponibilidade em aceder a ‘conteúdos relacionados’ e, inclusive, em produzir conteúdos originais, estes públicos foram rapidamente reconhecidos como um ‘activo’ diferente dos públicos offline ou ‘tradicionais’. Não será arriscado prever que um dos resultados mais imediatos deste facto tenderá a ser os sites deixarem de ser pensados como meros espelhos das programações intramuros das instituições, e passarem a ser nova e decisiva matéria de trabalho dos programadores. E muito está por pensar sobre este assunto. Não só porque a relação da programação cultural com o espaço (material e concreto) é uma relação fundadora e constituinte, mas também porque este novo espaço (virtual e digital) é facilmente conotável com ‘comunicação’, ou ‘marketing’, duas áreas com que a cultura se tem frequentemente desencontrado. Decididamente, já não será demasiado cedo para reflectirmos e falarmos de uma programação cultural online, tendo em conta que podemos aceder a diferentes ofertas de conteúdos pensados e criados especificamente para essas plataformas por programadores culturais. Alguns dos campos mais emancipados nesta área- e nunca por acaso!- são a música, as artes plásticas e as artes tecnológicas, cujo exemplo deve merecer a nossa atenção.

Precisamente há um ano, Rui Guerra (da It’s Not That Kind) intensificou este debate sobre o proveito que a cultura pode ter com as novas tecnologias (e que, por exemplo, um ano antes era tratado como sintoma da emergência de uma ‘cloud culture’, como o último post nos dá conta) através de uma entrevista sobre ‘Online Strategies for Cultural Spaces’. Por ser uma chamada de alerta para um tema que nos vai acompanhar por algum tempo, vale a pena relembrá-lo aqui.

Cultura e Artes na Nuvem

A digitalização da cultura, apesar de não ser um fenómeno novo, tem sido um processo em rápida aceleração. Hoje em dia a denominada ” Cloud Culture” , que poderíamos traduzir por a cultura digitalizada (imaterial) e disponível nas redes computacionais (nuvem) é uma das grandes concorrentes da cultura  promovida pelos mais diversos equipamentos culturais.

Enquanto objecto de estudo vale a pena ler o texto de Charles Leadbeater (disponível gratuitamente no site da editora):

Na realidade virtual, ou seja, algures na nuvem, podemos encontrar…

A Europeana permite às pessoas explorar os recursos digitais de museus, bibliotecas, arquivos e colecções audiovisuais da Europa. Promove oportunidades de descoberta e de actividade num espaço multilingue onde os utilizadores podem colaborar, partilhando e sendo inspirados pela rica diversidade do património cultural e científico da Europa.

http://www.europeana.eu/portal/

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O Google Art Project é fruto da colaboração da Google com os mais importantes museus e galerias, com o intuito de dar a conhecer as suas colecções e as obras mais significativas da história da arte.

http://www.googleartproject.com/

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A artista Paula Rego também já possui obra digitalizada na nuvem. O projecto Deep Zoom mostra os trabalhos desta artista produzidos nos anos 70, e resulta de uma colaboração entre o museu Paula Rego/Casa das Histórias e a empresa Microsoft.

http://paularego.blob.core.windows.net/deepzoom/Default.html

um ‘referencial’ para as cidades ‘globais e criativas’

O ‘Centre for Culture and Technology’ da Curtin University, Austrália, criou um novo referencial para as cidades criativas. O documento (Index ‘(C2I)2 ‘), encomendado pelo ‘Beijing Research Centre for Science of Science’, foi dirigido por John Hartley e recentemente publicado no Journal of Cultural Science (Vol 5, Nº1 (2012)) com o título ‘Creative City Index’.

Consulte-o aqui: Index “(C2I)2 = CCI-CCI Creative City Index”

 

profissionais da cultura visitam as turmas de ccc

Em  Abril e Maio três profissionais de diferentes áreas da cultura farão apresentações nas turmas de CCC sobre o âmbito das suas profissões. O ciclo de apresentações, designado ‘Práticas da Cultura e das Artes’, tem como objectivo descrever o campo de actuação e os desafios profissionais da ‘comunicação cultural’, da ‘produção cultural’ e da ‘programação cultural’. O programa deste ciclo é o que se segue:

Práticas da Cultura e das Artes

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_A comunicação cultural

A 18 de Abril, Rita Castel Branco, directora de comunicação da EGEAC, apresentou-nos a campanha de comunicação que a EGEAC tem desenvolvido nos últimos anos para as Festas da Cidade. A sardinha, prato forte do Santo António, passou a ser o símbolo destas festas, decorando a cidade nos mais diferentes suportes de comunicação. O concurso que apura as propostas (das sardinhas) vencedoras tem tido uma participação tão forte quanto crescentemente criativa. A adesão de novos e jovens públicos às Festas da Cidade tem sido assinalada pelo entusiasmo com que estas imagens são procuradas e também pelo sucesso do prémio Facebook. Aqui ficam as classificadas deste ano:

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_A produção cultural   [quinta-feira, 26 Abril- 12.30h: D.2.5]

Carla Miraldo Cardoso- directora de Produção da Bienal Experimenta Design

_A programação cultural  [quarta-feira, 02 Maio- 12.30h: sala S.0.11]

Giacomo Scalisi- programador do ‘Festival TODOS- Caminhada de Culturas’ e do ‘Movimenta-te. Trajectórias de Programação Cultural em Rede’

Podem assistir quaisquer alunos de CCC, independentemente da turma ou turno.

As apresentações terão a duração aproximada de 30′.

guia de financiamentos à cultura [gpeari]

O ” Guia de Apoios à Cultura e Criatividade” dá a conhecer os programas de apoio e os mecanismos financeiros disponíveis para projectos na área da cultura e da criatividade, com o objectivo de dotar criadores, agentes culturais e empresários com um instrumento prático que ajude a promover e dinamizar as suas actividades.

Guia Financiamentos à Cultura_ Gpeari Junho2011

Europe’s artists can make sense of the chaos and create hope

 

«While it is impossible to deny the severity of the present economic crisis, it is also clear that Europe has many reasons for optimism and hope. As Europeans we should start looking at our cultural sector as a reservoir of hope, ideas and new economic growth that can lead us out of the crisis. The Europe of tomorrow is only going to be as successful and liveable as the ideas we have to make it grow. We all need master what artists are already good at – making more with less, finding fresh new perspectives and exciting new combinations.

Art is not only a pleasurable icing on the cake; it is also a way of thinking and a practice of working innovatively with reality that can inspire us all to do better. Furthermore, while the crisis is economic and political, it certainly isn’t cultural. European cities are right now among the most creative and vibrant in the world. Cities like London, Milan, Paris, Amsterdam, Berlin and Copenhagen are not only major metropolises but also major creative centres with hundreds of thousands employed in the creative industries. By including culture on a much broader level in city planning, social policy and business development, we can create much more economically sustainable, attractive and liveable cities.

In Copenhagen, a recent survey by the Danish thinktank Fora shows that the creative industry is the city’s most important, with about 70,000 employed either directly in creative job positions or in businesses like fashion retail that benefit from the innovations of the creative industry. In 2008, 21% of Denmark’s new startups focused on creative value creation. In the European Union the creative industry accounts for at least 3.3 pct of the economy – up to 4.5% based on measurement methods. Employment in the creative industry also grows more rapidly than in other industries: 3.5% a year compared with a 1% growth in employment as a whole.

The European commission’s proposal for a new support programme – Creative Europe – precisely aims at supporting artists and professionals in the creative sectors across Europe. We encourage all politicians to work for initiatives that can get art out of its silos and make art, creation and cultural activity part of society at large. There are really two tasks here: on the one hand, we have to encourage society to learn from the artists and creative innovators, and on the other we should make it easier for artists to learn from entrepreneurial practices in spreading their work and ideas. We have to create real, lasting relationships between the artistic community, the creative industries and other sectors like education, business, production and research, but also our foreign policy and development work.

There is a lot to gain simply by stimulating new relationships, and this strategy can create immense growth without a need for big financial investments. For their part, the artists and creative innovators need to realise their own potential and take back their authority. They need to once again step into the arena as the central players in society’s own story about itself. We politicians need to be better at listening to the artists and learn their language, but they also have to be a lot better at reaching out to the rest of society. We are not trying to coax the artists into sacrificing artistic integrity on the altar of growth. On the contrary, we need them to do exactly what they are already doing – as artists, they are uniquely qualified to look at the chaos of the world and create a sense of perspective and hope.

While we all have to accept the crisis as it is, we have to see what it also can be: a great opportunity to realign our European community and reinvent ourselves in a new and better way. We have already seen how young artists played a major role in the Arab spring. The next generation of European artists has both a great responsibility and a major opportunity – they should accept it and be courageous. To paraphrase Hillary Clinton: “Never waste a crisis – even if it is not a good one.”

Uffe Elbæk e Androulla Vassiliou

(artigo publicado na versão online do jornal ‘The Guardian’ em guardian.co.uk a 25 Fevereiro 2012)