Arquivo de Junho, 2012

coisas de homem: teatro em carne viva

Carne: tecido muscular dos animais, quando usado como alimento; natureza animal do género humano; corpo por oposição ao espírito; concupiscência.
“Coisas de homem” expõe as relações entre homem e mulher, em carne viva.
Passada num talho, a peça tem a presença constante da carne, da carne morta dos animais, da carne viva em que vivem Otto e Martha.
Na Alemanha dos anos 70 – em Munique? – uma mulher apaixona-se por um homem. Martha é uma mulher independente, uma bem sucedida talhante, mas que deixou o tempo da juventude passar por ela sem ter investido nos seus atractivos. Otto é um homem dependente, da bebida, da violência, e de Martha. Esforça-se por afirmar a sua masculinidade, à custa da minimização de Martha, mas na verdade é um ser frágil. Coisas de homem.
Martha ama-o mas ri-se dele. Enfeita-se e submete-se, mas chora. Escreve no seu diário, escuta Schubert e leva-o a festas. Coisas de mulher.
O texto, de Franz Xaver Kroetz, é cru. A encenação, de Maria Emília Correia, é dura. O resultado é violento, um soco no estômago, ou melhor, uma cutelada no peito.

Coisas de Homem, de Franz Xaver Kroetz. Tenda – Palhaços do Mundo, no Teatro da Trindade – Sala Estúdio.

culture minds: entrevista Jorge Barreto Xavier e Miguel Honrado | as políticas culturais em Portugal

Visualize a gravação da terceira entrevista culture minds: Jorge Barreto Xavier, especialista em políticas públicas, e Miguel Honrado, presidente da EGEAC, distinguem as políticas culturais exercidas pelo Governo e pelo poder local, expõem os benefícios dos programas europeus de financiamento à cultura e, entre outros assuntos, debatem a internacionalização deste sector. culture minds é uma iniciativa do 2º ciclo em Programação e Gestão Cultural e do 1º ciclo em Ciências da Comunicação e da Cultura da Universidade Lusófona. Aceda ao vídeo aqui.

culture minds: entrevista Cláudia Madeira e José Soares Neves | a programação cultural e os públicos da cultura

Visualize a gravação da segunda entrevista culture minds: Cláudia Madeira, socióloga e investigadora em programação cultural, e José Soares Neves, também sociólogo e investigador no Observatório das Actividades Culturais, expõem as tendências da programação cultural e dos estudos de públicos nas práticas culturais nacionais. culture minds é uma iniciativa do 2º ciclo em Programação e Gestão Cultural e do 1º ciclo em Ciências da Comunicação e da Cultura da Universidade Lusófona.  Aceda ao vídeo aqui.

entrevista na Art’a Bordo

No domingo paassado, 17 de Junho, fomos assistir ao espectáculo Tardes de Rádio, criado e encenado pela Escena Subterrânea, e interpretado em parceria com o Teatro em Branco. Esta foi a última apresentação deste ano da Art’A Bordo, uma série de espectáculos inseridos nas Festas de Lisboa, realizados a bordo de transportes públicos.

As Tardes de Rádio são um programa de rádio itinerante, dinamizados por uma equipa de jovens radialistas em que os passageiros participam nos passatempos propostos. Jogos musicais, audições, consultas sentimentais e algumas coincidências fazem-nos pensar se “não seremos todos personagens de uma grande peça”.

Falámos com o Luciano Burgos, principal responsável deste projecto.

MB: Desde quando estão nas Festas de Lisboa?
LB: Este projecto está inserido nas Festas desde o ano de 2009. Mas a companhia (somos uma companhia argentina) trabalha nos transportes públicos desde o ano de 1994.

MB: Em Portugal?
LB: Não. Na Argentina. No ano de 2004 tivemos a companhia cá em Portugal, com actores portugueses, em parceria com uma associação que é o Teatro em Branco. Começámos com este projecto, no começo, na rua (o projecto tinha essa particularidade) e depois, nas Festas, já nos transportes. Começámos no autocarro, depois no metro e comboio. Agora estamos nos três.

MB: Este ano?
LB: Desde 2009, que começámos com dois transportes, estamos nos três desde o ano de 2010.

MB: Trabalham então na Argentina, em Portugal, e mais países?
LB: Não, já estivemos em São Paulo e em Barcelona, mas neste momento trabalhamos em Portugal, onde o projecto já tem uma continuidade. A companhia é argentina, eu sou argentino, o encenador e o coreógrafo são argentinos. Há propostas que fazemos em Buenos Aires e outras que trazemos para cá para os portugueses.

MB: Portanto, para além do director de projecto, do encenador e do coreógrafo, têm quantos actores?
LB: Normalmente trabalhamos com cinco ou seis actores, mas depende muito do tipo de proposta. Como os espaços são pequenos, a ideia é que os espectáculos sejam, de alguma forma, simpáticos para que as pessoas não sintam uma invasão do espaço público. São propostas que possam ter alguma ligação com o lúdico. Normalmente as propostas são de cinco ou seis actores. Há espectáculos em que há outros actores, mas temos uma base de seis.

MB: O projecto é financiado? Que apoios têm?
LB: A companhia é profissional. Nós cá em Portugal estamos no contexto das Festas de Lisboa e o projecto é financiado pela EGEAC, que é a entidade que o promove. Na Argentina, temos um protocolo assinado com o Metro de Buenos Aires. Este projecto nasce de uma pesquisa de como é trabalhar em espaços não convencionais. Não é que seja uma impossibilidade a companhia trabalhar com palco, é o contrário.

MB: É um conceito?
LB: Sim, mas aqui há uma questão, já não tanto agora, mas no começo. O teatro de rua sempre foi considerado um sub-género do teatro, em que se trabalhava na rua como se não se tivesse a possibilidade de trabalhar num palco, e não como uma pesquisa de uma linguagem que tem uma particularidade. Não é nem melhor, nem pior, é diferente. Quando surgiu a companhia, o que nos levou a fazer o projecto era perceber o que se passava com o actor, num espaço que tinha uma série de dificuldades: a fragmentação do próprio discurso – pessoas que sobem e descem durante o espectáculo; o paradigma do actor enquanto intérprete, não protegido no espaço cénico, mas intervindo no espaço que é público. Estas coisas sempre criavam em nós alguma curiosidade. O que a companhia tem feito estes anos é tentar encontrar uma linguagem própria, em que a intervenção não seja uma situação descontextualizada com o espaço, mas que esse espaço tenha uma outra significação durante o percurso. Não é um espaço que não é realista. É o transporte, o comboio, só que dentro do comboio há uma história, neste caso um grupo de pessoas que quer fazer uma rádio ao vivo, e que sobe para o comboio com esta realidade. Há uma diferença entre o teatro como nós o entendemos, uma intervenção de rua, e o teatro ao ar livre, em que há uma disposição cénica tradicional. O que neste caso é impossível, as pessoas estão sempre à volta dos actores, há aí uma pesquisa de espaço.

MB: De onde veio a ideia de trabalhar no comboio?
LB: Aqui em Portugal foi um pouco ir ao encontro daquilo que era o projecto ‘Andar em Festa’. O projecto ‘Andar em Festa’ da EGEAC tem como objectivo que as Festas de Lisboa cheguem às pessoas. Dentro disso, a nossa experiência em transportes é que esta é uma forma muito directa de comunicação. É um espaço onde há pessoas que, como no teu caso, vieram de propósito para ver o espectáculo, mas há muitas que estão a viajar, e este projecto entra de uma forma natural no seu dia-a-dia, inesperada mas também natural, sem forçar ninguém a estar num sítio em que não se sinta confortável. Em termos de transportes, as opções urbanas são normalmente o autocarro, o metro, e o comboio. Também há os barcos, que me interessa no futuro fazer, pois acho-os muito interessantes. Também vem da ideia de que o espaço público tem a possibilidade de pesquisarmos coisas que, à partida não estavam na nossa opção de pesquisa. Por exemplo, este espectáculo tem uma base muito forte de atracção que é a palavra. Então imagina, se o comboio vinha muito cheio, também era possível as pessoas ouvirem o espectáculo, mesmo sem verem o espectáculo. O que nós conseguimos é entrar no transporte e modificar uma rotina que existe, propor alguma coisa diferente, e o contexto das Festas ajuda.

MB: Como é que se estabeleceu esta vossa relação com a EGEAC?
LB: No princípio, nós conheciamos a EGEAC porque estivemos no Euro 2004, no projecto das Festas, e naquela altura foi feito só na rua. Então já existia uma relação com a EGEAC, de trabalhar esta dinâmica. O que aconteceu depois, com o passar do tempo, foi uma cumplicidade muito grande no sentido de perceber qual é a mais valia deste tipo de propostas, qual é o conhecimento que é preciso ter para que isto não seja uma coisa negativa. Por exemplo, uma coisa que pode acontecer, e que é importante. No momento actual, em que as pessoas estão a viver uma situação económica complicada, é importante conhecer qual é o ‘mood’ das pessoas. Eles sabem que podem contar connosco para ter este tipo de abordagem. É um ida-e-volta, nós propomos, eles acham bem, e também propõem.

MB: Já há uma relação de grande proximidade.
LB: Que não é muito normal, e é muito boa para nós também, porque há uma continuidade, um conhecimento do meio artístico, e das Festas, que permite também fidelizar o público.

culture minds: entrevista Rosa Videira e Anabela Afonso | propriedade intelectual e direito de autor

Visualize a gravação da primeira entrevista culture minds: Rosa Videira, advogada especialista em direitos de autor, e Anabela Afonso, jurista especialista em propriedade intelectual, expõem os principais desafios que a cultura e a programação cultural enfrentam no âmbito da propriedade intelectual e da sua vertente de direito de autor. culture minds é uma iniciativa do 2º ciclo em Programação e Gestão Cultural e do 1º ciclo em Ciências da Comunicação e da Cultura da Universidade Lusófona. Aceda ao vídeo aqui.

agentes culturais apresentam carta ‘cultura e futuro’

Esta terça-feira, 19 de Abril, vários representantes do sector cultural apresentam e discutem no Teatro Municipal S. Luiz a carta ‘Cultura e Futuro’ que tem como principal objectivo reflectir sobre o estado das políticas culturais e propor acções futuras. Num dos parágrafos do documento lê-se: ‘Neste momento, como resultado de uma governação abertamente hostil à ideia de serviços públicos de cultura e que usa a crise como alibi, assistimos a uma rápida e progressiva desprofissionalização no setor cultural, ao fechamento das agendas culturais e à desagregação da identidade social dos equipamentos públicos. O desinvestimento do Estado, nas diversas dimensões das políticas públicas para a cultura, nega, efetivamente, o acesso dos cidadãos à cultura e desbarata o investimento feito nesta área no Portugal democrático.’ ver documento completo em culturaefuturo.blogspot.com.

culture minds | redes culturais: o que são e para que servem?

No quarto programa desta primeira série de entrevistas, gravado a 15 de Junho, Teresa Flores entrevistou dois programadores, Giacomo Scalisi e Mark Deputter, que partilharam as suas experiências nas redes culturais em que trabalham (‘movimenta-te’ e ‘5 sentidos’, respectivamente). Foram debatidos os benefícios e os desafios do trabalho do programador cultural no seio de uma rede, assim como a necessidade cada vez mais iminente de modelos cooperativos e multi-escala para a programação e gestão cultural.

Giacomo Scalisi é programador cultural, criador dos projectos TODOS, MOVIMENTA-TE e PERCURSOS. Foi programador de teatro e novo circo no Centro Cultural de Belém e director artístico do TEMPO – Teatro Municipal de Portimão. É consultor para a área do teatro na Fundação de Serralves e docente no Mestrado em Programação e Gestão Cultural.

Mark Deputter é o programador e director artístico do Teatro Maria Matos, que faz parte da rede 5 SENTIDOS. Participou na equipa do projecto DANÇAS NA CIDADE, actual Festival ALKANTARA, e foi programador de dança no Centro Cultural de Belém, entre outras experiências.

As gravaçoes desta edição do Culture Minds tiveram lugar no Campus da Univ. Lusófona (Lx, Campo Grande), estúdio Q.