Arquivo de Setembro, 2012

Mestrado em Programação e Gestão Cultural: última fase de candidaturas

Está a decorrer até ao próximo dia 12 de Outubro a última fase de candidaturas para o Mestrado em Programação e Gestão Cultural

CONDIÇÕES DE ACESSO

Grau de licenciatura e/ou curriculum relevante na área cultural.

HORÁRIO DAS AULAS
sextas-feiras: 19-22h | sábados: 10-13h (e 14-17h em parte do ano lectivo)

NOVO VALOR PROPINAS PARA 2012/13

http://www.ulusofona.pt [seguir os seguintes passos- 1º: Quero estudar na Lusófona; 2º Faz as contas; 3º Propinas

para mais informações: odete.soares@ulusofona.pt

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culture minds: entrevista alunos Mestrado em Programação e Gestão Cultural

No quinto programa Culture Minds, Teresa Oliveira, docente da ULHT, entrevista três alunas do 2º ciclo em Programação e Gestão Cultural com o propósito de relatarem as suas experiências no curso, os projectos e as investigações que estão a desenvolver. Marta Araújo, Sandra Martins e Margarida Branco, oriundas de diferentes formações, analisam o curso, a sua competitividade e o seu contributo para o exercício das profissões do campo cultural na actualidade.  Visualize o vídeo aqui.

 

culture minds: entrevista a Mark Deputter e Giacomo Scalisi | ‘redes culturais: o que são e para que servem?’

Visualize a gravação do quarto programa desta primeira série de entrevistas: Teresa Flores entrevista Giacomo Scalisi e Mark Deputter para debater o tema ‘Redes Culturais: o que são e para que servem?’ A entrevista dá voz às experiências destes programadores nas redes culturais em que trabalham: ‘movimenta-te’ e ’5 sentidos’, respectivamente. Que benefícios e desafios resultam de um trabalho em rede? Até que ponto se impõe a necessidade de modelos cooperativos e multi-escala para a programação e gestão cultural? Aceda aqui ao vídeo.

a Europa e a estratégia criativa para a cultura

Nos tempos que correm, a ideia de que a crise pode ser encarada como uma oportunidade para o sector cultural corre o risco de se tornar um aforismo e de justificar, com maior ou menor perversidade, a desintegração do modelo de Estado Social de que o sector cultural europeu depende. Sabemos que a frase de Hillary Clinton ‘Never waste a crisis- even if it is not a good one’ colhe poucas aclamações junto dos agentes culturais desta costa do Atlântico, desprotegidos que estão pelas políticas públicas para a cultura e por um mercado refém de uma brutal recessão económico-financeira. Mas o que a crise parece ter gerado de melhor foi uma nova visão económica da cultura, na qual a União Europeia está a assumir particular protagonismo. Em contraciclo com a austeridade financeira que os Estados membros encaram, a UE adoptou o programa Europa Criativa que, entre 2014 e 2020, irá injectar 1,8 mil M€ nos sectores cultural e criativo, representando um aumento de 37% em relação aos montantes actualmente disponíveis para os programas Cultura, MEDIA e MEDIA Mundus, doravante substituídos e agregados neste novo programa-quadro. O espírito do programa, traduzido pelo nome, salienta a importância do sector criativo no emprego e no crescimento europeus, mas deixa também entender o interesse no contágio de sinergias entre as dinâmicas de empreendedorismo deste sector e as tradicionais áreas nucleares da cultura.

O protagonismo das indústrias criativas na economia começou por ser diagnosticado no Reino Unido, em 1997, pela legislatura de Tony Blair. Quase uma década depois a UE emitiu resultados igualmente empolgantes sobre os sectores cultural e criativo: 3,8% do emprego; 4,5% do PIB; uma taxa de crescimento mais rápida que qualquer outro sector económico e efeitos indirectos positivos no turismo, na educação e inclusão social. A estratégia desenhada no Europa Criativa resulta desses dados e surge nesta crise europeia com grande sentido de oportunidade não apenas porque o sector criativo sempre se notabilizou na economia da propriedade inteletual como cluster da inovação, mas sobretudo porque estas indústrias garantem o alinhamento das políticas das artes e dos media com as políticas económicas. Daqui resulta que o Europa Criativa se possa posicionar como um dos principais contributos para a Estratégia Europa 2020 e para a sua orientação para um ‘crescimento inteligente, sustentável e inclusivo’.

Para além do discurso económico do Europa Criativa, o programa prevê um instrumento financeiro que até agora se circunscrevia ao audiovisual. Trata-se da criação de garantias financeiras para empréstimos bancários às ‘startups’ das indústrias criativas (atenuando o risco com que a banca as vê) tal como às organizações culturais não lucrativas que queiram investir na distribuição digital. Sem que julguemos que as apostas deste programa compensem ou corrijam as disfunções nacionais, vemos contudo nelas coordenadas a não subestimar para as próximas estratégias e práticas do sector cultural.

Victor Flores

Director do Mestrado em Programação e Gestão Cultural da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias

(artigo publicado originalmente no semanário Sol a 10 de Agosto de 2012)