O contributo da cultura e da criatividade para a internacionalização da economia portuguesa

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[Andy Warhol, dollar signs]

«Um estudo hoje divulgado, em Lisboa, sobre o contributo da cultura e da criatividade para a internacionalização da economia portuguesa recomenda “a montagem e exploração de sinergias” entre a cultura, o turismo e a indústria do país.

Realizado pela Sociedade de Consultores Augusto Mateus & Associados, o estudo, encomendado pela Secretaria de Estado da Cultura (SEC) foi hoje apresentado no Palácio da Ajuda com a presença do responsável pela tutela, Jorge Barreto Xavier, e pelo ministro da Economia, António Pires de Lima.

Trata-se do primeiro de dez estudos que estão a ser desenvolvidos por investigadores no âmbito do Plano Cultura 2020 em áreas de acção distintas, relacionadas com as recomendações feitas pela Comissão Europeia para a governação e programação de fundos nos próximos sete anos.

Na sessão, Augusto Mateus, coordenador do estudo, sublinhou a importância das sinergias nas áreas da cultura, turismo e indústria para “mudar o paradigma competitivo em Portugal”.

“A internacionalização da economia portuguesa é mais do que aumentar as exportações. É preciso abandonar as antigas formas de fazer as coisas e incluir cada vez mais a inovação e a diferenciação”, defendeu o economista.

Em relação ao diagnóstico do valor das indústrias criativas em Portugal, o estudo apresenta algumas conclusões, como o nível de exportações na área das indústrias criativas e relacionadas, que atingiu sete mil milhões de euros em 2012.

Quanto à taxa de crescimento média anual das exportações culturais e criativas, excedeu os 10 por cento na última década, acima do ritmo exportador da economia portuguesa como um todo, que se situou nos 9,8 por cento.

No que se refere aos produtos mais relevantes nas exportações nacionais surgem os relacionados com os audiovisuais e com o design.

O mercado de língua oficial portuguesa recolheu 15 por cento das exportações das indústrias criativas de Portugal, em 2011, segundo o estudo.

Ainda nas recomendações, Augusto Mateus defendeu que as várias áreas culturais “não devem estar separadas em ilhas, mas funcionar pelo menos como um arquipélago, cooperar e criar parcerias para partilhar custos e riscos”.

O economista – autor de um outro estudo sobre “O sector cultural e criativo em Portugal, de 2010 — defendeu ainda o aproveitamento do turismo como plataforma exportadora e de internacionalização do sector cultural e criativo.

“Nessa área devemos criar produtos e serviços diferenciados que vão ao encontro do que os turistas querem”, aconselhou.

Quanto à indústria, Augusto Mateus foi peremptório: “Na Europa dos próximos dez anos, se uma indústria não se tornar criativa desaparece”.

Globalmente, o economista considera que a mudança que deve ser operada “não custa muito dinheiro, mas sim política, instrumentos, estratégia e acção”.

Na sessão, o ministro da Economia, António Pires de Lima, disse que o desafio actual do país “é ajudar a sociedade e o mundo das empresas a fazer uma transição do mercado doméstico – predominante nas duas últimas décadas – para o exterior”.

“Há um esforço das empresas que estão a sair da sua zona de conforto para vender produtos e serviços fora de Portugal. Cada vez há mais criação de riqueza motivada pela actividade exportadora”, disse o ministro, apontando que esse peso passou de 28 por cento nos últimos anos para 41 por cento no ano passado, e o objectivo é ultrapassar os 50 por cento.

Nesta área, considerou que a cultura e a ciência “têm um papel determinante para o desenvolvimento da economia portuguesa” e indicou que “os vários ministérios vão continuar a trabalhar juntos”.»

Fonte: Lusa/SOL

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Nota: Este estudo agora publicado integra um conjunto mais alargado de estudos que visa preparar a  programação dos Fundos Estruturais do Quadro Estratégico Europeu – 2014-2020, cujos resultados têm por objetivo servir à definição de políticas públicas e de suporte à ação dos agentes dos sectores culturais e criativos.

> O relatório final está disponível aqui

+ info: http://www.gepac.gov.pt/cultura-2020.aspx

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