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APOIO À INTERNACIONALIZAÇÃO DAS ARTES

 

A Direcção Geral das Artes anunciou aqui  a aprovação da Portaria de Apoio à Internacionalização das Artes, a qual vem regulamentar uma linha de apoios financeiros a projetos artísticos que se desenvolvam no estrangeiro, tendo em conta que, no atual contexto, a existência de dispositivos de internacionalização dirigidos às artes é crucial para o fomento do empreendedorismo e para o alargamento de mercados do setor artístico.

Prevê-se a abertura, por via de concurso público, até três vezes por ano, com as regras de acessibilidade e transparência fundamentais à atribuição de financiamento estatal, a linha de Apoio à Internacionalização das Artes será implementada muito em breve, mediante a publicação do aviso de abertura.

Ainda no que se refere ao apoio à internacionalização das arte, é de salientar que a Fundação Calouste Gulbenkian também concede, entre outros, apoios a projectos de artes visuais (exposições individuais ou colectivas) de artistas portugueses realizadas no estrangeiro.  Neste caso, são valorizados os projectos de exposição com curadoria e/ou com o envolvimento de uma instituição ou estrutura de produção e difusão artísticas internacionais. Para mais informação consultar aqui.

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Todas as estratégias e apoios à internacionalização são muito bem vindas, até porque existe um deficit na balança de transacções internacionais, ou seja a importação é maior do que a exportação de bens artísticos,  importa por isso ter em atenção alguns estudos e informação já realizados nesta área de actuação.

Em 2009 o valor das exportações de bens culturais ultrapassou 62,5 milhões de euros, o que representa um decréscimo, a preços correntes, de 22,5% face ao registado no ano anterior. O valor das importações de bens culturais ultrapassou 225,4 milhões de euros, tendo decrescido 15,7%  face a 2008. Em resultado destes movimentos, verificou-se um saldo negativo de 162,9 milhões de euros. (Fonte: INE, Anuário Cultura 2009)

Segundo o estudo do Observatório das Actividades Culturais – Mobilidade internacional dos artistas e outros profissionais da cultura (Jan. 2010). Estudo disponível em pdf aqui:

  • A Espanha é claramente o principal destino dos espectáculos vendidos para o exterior (38%), perfazendo o conjunto dos países europeus 76% das vendas internacionais
  • Os países lusófonos representam 18% dos espectáculos vendidos para o exterior, o Brasil 15%
  • A língua é um capital pouco explorado: o horizonte europeu é claramente privilegiado face ao espaço da lusofonia
  • O potencial do Brasil enquanto parceiro e enquanto mercado não se traduz num intercâmbio efectivo
  • A música surge claramente como sector mais internacionalizado, em contraste com o teatro.

Pontos Fracos relativamente ao comércio internacional do sector cultural e criativo:

i) Fraco dinamismo das indústrias relacionadas e de suporte ao sector cultural e criativo – aspecto relevante do ponto de vista da sustentabilidade dos empregos e da competitividade nas indústrias criativas

ii) Dificuldade em articular lógicas de produção e de distribuição

iii) Dificuldade de valorização internacional da língua portuguesa – remetendo para a estagnação das exportações das indústrias culturais

iv) Fraca valorização de aspetos relativos à internacionalização e distribuição de agentes públicos e privados.